PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

OMS: Lockdown reduziu acidentes de carro, mas casos são mais fatais

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

17/05/2021 12h20

A pandemia esvaziou as ruas e, com com lockdowns e restrições, o número de acidentes de trânsito caiu. Mas, com vias livres, a velocidade média aumentou e os acidentes passaram a ser mais fatais. O alerta é da OMS e da ONU que, nesta semana, lançam uma campanha para convencer prefeitos e autoridades a ampliar zonas com um limite máximo de velocidade de 30km/h, principalmente nas ruas onde pedestres e ciclistas se misturam ao tráfego de carros.

De acordo com a OMS, a cada ano, mais de 1,3 milhão de pessoas morrem em acidentes de trânsito. Isso representa uma pessoa a cada 24 segundos. O que os estudos revelam, porém, é que é a velocidade excessiva que está no centro do problema. 1 em cada 3 mortes nas estradas dos países de alta renda é atribuída à velocidade.

Estima-se ainda que entre 40% e 50% das pessoas dirigem acima do limite de velocidade. Os estudos também apontam que cada 1 km/h de aumento na velocidade representa um aumento de 4-5% em acidentes fatais. "O risco de morte e ferimentos reduz consideravelmente quando a velocidade é reduzida", estima a entidade.

De acordo com a OMS, a pandemia teve um impacto nos acidentes de trânsito. "Desde o início de 2020, a mobilidade diminuiu em geral devido aos bloqueios da covid-19 e ao fato de que pessoas trabalham em casa", disse.

Isso levou a um número menor de acidentes de trânsito. Mas o número de fatalidades não diminuiu na mesma proporção porque as pessoas dirigem a velocidades mais altas.

"Precisamos de uma nova visão para criar cidades seguras, saudáveis, verdes e habitáveis", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). "As ruas de baixa velocidade são uma parte importante dessa visão. Enquanto nos recuperamos e reconstruímos da COVID-19, vamos fazer estradas mais seguras para um mundo mais seguro"", defendeu.

Zoleka Mandela, embaixadora global da Iniciativa de Saúde da Criança, defendeu também comunidades onde se possa caminhar com segurança. "Acima de 30 km/h é uma sentença de morte, disse. Zoleka, neta de Nelson Mandela, perdeu sua filha de 13 anos, Zenani, em um acidente de trânsito na África do Sul em 2010.

Nesta segunda, ela, Tedros e dezenas de organismos internacionais e empresas privadas enviaram uma carta a governos de todo o mundo pedindo limites de velocidade de 30 km/h em cidades.

O apelo vem em um momento em que muitas capitais começam a aderir ao movimento, entre elas Bruxelas, Paris e cidades de toda a Espanha. Zonas de 30 km/h também estão sendo colocadas em seções de cidades do mundo inteiro, desde Bogotá, Accra ou Ho Chi Minh.