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Jamil Chade

OMS pressiona Brasil a dar US$ 250 milhões para frear pandemia no mundo

Queiroga acenou para a OMS de que estaria disposto a contribuir com vacinas, uma vez que a produção nacional seja suficiente  - Pedro França/Agência Senado
Queiroga acenou para a OMS de que estaria disposto a contribuir com vacinas, uma vez que a produção nacional seja suficiente Imagem: Pedro França/Agência Senado
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

09/06/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Agência estima que não poderá contar apenas com economias do G7 para bancar uma operação global e quer ajuda de Brasil, China e índia
  • Projeto prevê US$ 50 bi para acabar com a pandemia; desse total, US$ 18 bi seriam necessários ainda em 2021 para garantir vacinas e tratamentos
  • Brasil garante que está disposto a exportar vacinas, mas não dá data para iniciar o fornecimento
  • Em fevereiro, o governo devia R$ 10 bi aos organismos internacionais, inclusive para a OMS

A OMS (Organização Mundial da Saúde) quer que o governo brasileiro destine US$ 250 milhões (R$ 1,26 bilhão) para que os esforços internacionais de colocar um fim à pandemia da covid-19 possam ser acelerados. Além do dinheiro, a agência também espera contar, no futuro, com vacinas fabricadas no Brasil para abastecer principalmente os demais países latino-americanos.

O projeto global da OMS prevê US$ 18 bilhões (R$ 90,5 bilhões) para garantir o desenvolvimento de tratamentos, diagnósticos e vacinas contra o coronavírus, num mecanismos que é conhecido como ACT. Grande parte desses recursos virá das economias ricas, principalmente no G7.

Mas, em encontros fechados, a agência tem alertado que também precisará contar com recursos dos grandes países emergentes, entre eles a China, Índia e Brasil, para conseguir fechar a conta.

O Brasil é um dos raros países em desenvolvimento com capacidade de produção de doses e, como parte do G-20, é considerado como parte do grupo que terá de ajudar o restante do mundo em algum momento da pandemia.

Na OMS, a agência também colocou o país no conselho do mecanismo internacional e considera que a responsabilidade terá de ser compartilhada.

Numa recente reunião com o chanceler Carlos França, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, pediu para o país "assumir" a liderança internacional que tradicionalmente desempenhou em temas de saúde no mundo.

O recado tinha como objetivo recuperar o papel do Brasil na diplomacia internacional, mas também alertar que a OMS esperava contribuições do país, e não apenas pedidos.

Por enquanto, o Itamaraty não faz qualquer promessa no que se refere aos recursos. Já o Ministério da Saúde sinalizou para a OMS que quer contribuir com a exportação de vacinas. Mas apenas quando a produção nacional estiver num patamar mais elevado e quando uma parcela mais significativa da população estiver imunizada.

Não há, portanto, qualquer data ou previsão para o início de uma ajuda brasileira ao esforço internacional.

O Brasil ainda a segunda maior dívida do mundo com a ONU (Organização das Nações Unidas), superado apenas pelos EUA, e também chegou a registrar um atraso em pagamentos para a OMS que beiravam a marca de US$ 30 milhões (R$ 151 milhões). No total, a diplomacia brasileira somou no final de fevereiro atrasos no valor de R$ 10,1 bilhões com cerca de cem entidades pelo mundo.

Na OMS, porém, a percepção é de que cabe às grandes economias do mundo e aquelas com capacidade de produção de se unirem para colocar um fim à crise sanitária.

A meta é de vacinar 10% da população dos países em desenvolvimento até setembro e 30% até dezembro. A entidade, ao lado do Banco Mundial e do FMI, também estima que precisará de US$ 50 bilhões (R$ 251 bilhões) ao longo dos próximos dois anos para controlar a pandemia.

Mas, de acordo com Tedros, a maior "frustração" é o fato de que os repetidos apelos por recursos e doses são apenas parcialmente atendidos. Seis meses depois do início das campanhas de imunização, os países mais pobres do mundo receberam apenas 0,4% das vacinas produzidas.

No fim de semana, uma centena de ex-chefes de estado e de governos pelo mundo enviaram uma carta aos líderes do G-7 apelando para que essas economias banquem uma operação global de imunização e que, assim, a pandemia seja abreviada.