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Jamil Chade

OMS teme 236 mil mortes extras até dezembro na Europa por covid-19

Protesto em Paris contra a obrigatoriedade de um passaporte que confirme a vacinação completa contra covid, estipulada pelo governo do presidente Emmanuel Macron - REUTERS/Sarah Meyssonnier
Protesto em Paris contra a obrigatoriedade de um passaporte que confirme a vacinação completa contra covid, estipulada pelo governo do presidente Emmanuel Macron Imagem: REUTERS/Sarah Meyssonnier
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

30/08/2021 07h28

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a estagnação da vacinação em alguns países do bloco e a explosão de casos da variante delta poderão levar o continente a registrar mais 236 mil mortes da covid-19 até dezembro. A previsão foi apresentada nesta segunda-feira, pelo escritório da OMS para a Europa.

Os dados foram recebidos como uma ducha de água fria por autoridades em todo o continente e que esperam garantir a reabertura de comércio e das sociedades de forma plena até o final do ano.

Apesar de o continente ter uma das maiores taxas de vacinação no mundo, a OMS alertou que, nas últimas seis semanas, o avanço da imunização tem sido lento. Para Hans Kluge, chefe da agência para a Europa, alguns países ainda apresentavam índices "profundamente preocupantes".

Segundo ele, ainda é "preocupante" o ritmo de transmissão do vírus pela Europa, principalmente desde meados de agosto.

"Na semana passada, o número de mortes na região aumentou 11%, com uma projeção confiável de 236.000 mortes na Europa até 1 de dezembro", disse Kluge. Em mais de um ano da pandemia, 1,3 milhões de mortos foram registrados pelo continente.

De acordo com a OMS, dos 53 países da Europa, 33 relataram um aumento de duas semanas na incidência de casos de mais de 10%. Já a vacinação caiu. "Nas últimas seis semanas, ela caiu 14%, devido à falta de acesso às vacinas em alguns países e à falta de aceitação das vacinas em outros", disse.

Hoje, 75% dos funcionários do setor de saúde na Europa estão vacinados. No total, o continente já aplicou 850 milhões de doses, o que representa cerca de metade da população. Nos 27 países da UE, porém, a taxa é maior, com quase 60% dos cidadãos já com duas doses.

A OMS ainda destaca como, por todo o continente, a taxa de ocupação dos hospitais começa a crescer de forma importante e que o número de mortes também voltou a dar um salto.

Para ele, a pandemia precisa ser freada na Europa com uma maior produção de vacinas, maior distribuição e campanhas para convencer populações a se vacinar.

Novas Restrições

A possibilidade de uma nova onda de contaminações também levará a UE a rever sua lista de "países seguros" e deve voltar a implementar medidas de controle para turistas dos EUA e de outros cinco países. São eles: Israel, Líbano, Montenegro, Kosovo e Macedônia do Norte.

Isso significará que turistas americanos terão de cumprir quarentenas ao entrar na Europa, além de ter de mostrar certificados de PCR para aqueles que não foram vacinados.

Em junho, a UE havia tomado a decisão de incluir os EUA numa lista de países considerados como "seguros", num esforço para atrair turistas americanos no auge da temporada de verão da Europa. Mas a expansão no número de casos nos EUA desde julho obrigou as autoridades europeias a rever a estratégia.