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Bolsonaro é lição ao mundo sobre crise da democracia, diz chefe da Anistia

19.jun.2019 - Agnès Callamard foi nomeada secretária-geral da Anistia Internacional Imagem: Fabrice Coffrini/AFP
Jamil Chade

Colunista do UOL

25/09/2021 04h00

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é uma "lição ao mundo" de que a democracia não está garantida e que vive uma crise. O alerta é de Agnes Callamard, diretora-executiva da Anistia Internacional e uma das maiores vozes no campo de direitos humanos no mundo.

"As lições do Brasil são as mesmas lições dos EUA sob Donald Trump, são as lições de Viktor Orban na Hungria", disse. "As chamadas democracias estabelecidas do século 20 não podem mais ser consideradas como sendo algo garantido", alertou. "Não podemos considerar as instituições democráticas como algo assegurado. Elas demonstraram suas fraquezas", disse.

"Muitas das democracias estão em crise. E não podemos pensar que elas estão garantidas. Não podemos pensar que a história dos últimos 100 anos não tem reviravolta. Isso, para mim, é uma lição central que eu levo do Brasil", disse.

"Não estamos apenas enfrentando a crise do sistema internacional, mas também uma crise democrática no interior dos países. Instituições estão ameaçadas", afirmou.

Callamard, antes de assumir a direção mundial da Anistia, foi relatora da ONU e responsável por investigar a morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Hoje, na direção da ong, ela adverte sobre "líderes autoritários em democracias".

De acordo com a francesa, tais líderes são produtos do nacionalismo e de uma economia que não serve à população". "Nesse contexto, eles oferecem narrativas que dão soluções simples para problemas complexos, como segurança", disse.

Apesar do alerta que ela faz sobre Bolsonaro, a ativista destaca como a maioria das pessoas está preparada a lutar pela defesa da democracia. "Vimos isso no Brasil, assim como nos EUA", afirmou. "São pessoas que se levantam para dizer: não, essa não é a sociedade que quero que meus filhos e meus netos vivam", disse.

De acordo com ela, esses são "movimentos importantes" da sociedade. "A questão é como proteger essas pessoas para que possam operar em contexto de estados que estão dispostos a usar violência", apontou. "Esse é o desafio. Mas a força existe e as pessoas existem para se levantar (contra esses líderes", completou.

Callamard ainda comentou a participação do brasileiro na abertura da Assembleia Geral da ONU, mostrando seu desprezo. Em seu discurso, Bolsonaro defendeu o uso de remédios sem evidências científicas, atacou a obrigatoriedade da vacina e mentiu sobre as condições sociais e econômicas do Brasil.

"Muitos líderes autoritários, mesmo em democracias, estão usando narrativas similares. É uma que rejeita os fatos, rejeita as evidências científicas. É uma narrativa que propõe soluções fáceis para questões incrivelmente difíceis. O que podemos dizer a essas pessoas? Elas estão erradas e não devem usar a posição de poder para mentir", alertou.

Desde que tomou posse, Bolsonaro foi alvo de 32 cartas de queixas de relatores da ONU sobre denúncias de violações aos direitos humanos. Pressionado, o governo também tem sido atacado por ativistas brasileiros e estrangeiros.

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