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Jamil Chade

OMS recomenda 3ª dose da vacina da Sinovac para idosos

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

11/10/2021 10h54

A OMS anunciou nesta segunda-feira que está recomendando o uso de uma terceira dose da vacina da Sinovac para pessoas acima de 60 anos. A decisão foi anunciada depois de uma semana de reuniões nas quais especialistas avaliaram o impacto da imunização e a proteção garantida pelas vacinas. A Sinovac é a fabricante da CoronaVac, ao lado do Instituto Butantan.

A decisão ocorre depois que a direção da OMS havia feito um apelo para que países ricos não entrassem em uma campanha de distribuir uma terceira dose das vacinas, alegando que isso iria ampliar o desabastecimento nos países mais pobres. O apelo da OMS, porém, era válido apenas até o final de setembro.

Além da Sinovac, a OMS ainda recomenda uma dose extra para quem foi vacinado com a Sinopharm e pessoas imunodeprimidas.

"Para as vacinas inativadas Sinovac e Sinopharm, uma (terceira) dose adicional da vacina homóloga deve ser oferecida a pessoas com mais de 60 anos", disse o órgão de aconselhamento estratégico da OMS.

A decisão ocorre num momento em que indústria farmacêutica aponta que, menos de um ano e meio depois do início da vacinação contra a covid-19, o setor contará com uma produção em fevereiro de 2022 suficiente para abastecer com duas doses cada um dos habitantes do planeta. O aumento vertiginoso na produção, porém, não é garantia de que todos receberão doses, já que países ricos continuam numa acelerada campanha de compra de imunizante, desabastecendo dezenas de países mais pobres.

De acordo com dados da consultoria Airfinity, ligada ao setor industrial, a produção mundial chegou a 6,5 bilhões de doses até o início de outubro. Para o final do ano, serão 12 bilhões de doses fabricadas.

Segundo a previsão, o setor farmacêutico teria uma produção suficiente para garantir duas doses por cada uma das pessoas do mundo, com mais de 16 bilhões de fabricação, somando o acumulado de cada um dos meses desde dezembro de 2020. A capacidade de produção continuaria a se expandir, mas não há uma garantia de que ela seria plenamente usada, já que o mercado poderia começar a perder força.

De acordo com o setor privado, mesmo que as vacinas chinesas sejam retiradas da equação, a previsão é de que, entre maio e junho, haveria uma quantidade suficiente de doses no mundo para imunizar 70% de toda a população dos países em desenvolvimento e ainda assegurar uma terceira dose nos países ricos.

"De uma perspectiva de produção, vacinar o mundo passou a ser uma possibilidade em 2022", disse Rasmus Hansen, CEO da consultoria que trabalha em sintonia com as multinacionais do setor.

Segundo ele, a "grande surpresa" de fato da expansão de produção vem da China. Hoje, já são 3 bilhões de doses produzidas, praticamente metade de todos os imunizantes fabricados. A perspectiva aponta para uma expansão para um total de 6 bilhões de doses, o que significaria uma ampla capacidade de exportação.