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Jamil Chade

Sem vacina, Bolsonaro confirma ida à cúpula do G-20 em Roma com Guedes

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de inauguração do Ramal do Agreste, e da Barragem de Campos, em Sertânia, Pernambuco - Isac Nóbrega/PR
O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de inauguração do Ramal do Agreste, e da Barragem de Campos, em Sertânia, Pernambuco Imagem: Isac Nóbrega/PR
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

e Carla Araújo, colunistas do UOL

22/10/2021 20h35Atualizada em 22/10/2021 22h08

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fará sua primeira viagem para a Europa desde o início da pandemia. O destino será Roma, onde ocorre a reunião de cúpula do G-20. Os ministros Paulo Guedes (Economia) e Carlos França (Relações Exteriores) também estarão presentes.

O encontro está marcado para os dias 30 e 31 de outubro. Mas, de acordo com uma informação do Itamaraty, o presidente brasileiro deverá sair de Brasília no dia 27 e retornará apenas no dia 2 de novembro.

Oficialmente, a cúpula apresenta dois temas complicados para o governo Bolsonaro: a resposta à pandemia da covid-19 e a situação climática.

Já o governo brasileiro chega com a intenção de promover temas como o aumento de produção e transferência de tecnologia de vacinas, reformar os mercados agrícolas, reformar a OMC (Organização Mundial do Comércio) e a promoção do biocombustível.

O governo, porém, vai dizer em Roma que o Brasil agiu de forma "decisiva" contra a pandemia, negando as conclusões da CPI da Covid e que recomendou o indiciamento do presidente e outras 70 pessoas e empresas. Para mostrar esse compromisso, o governo vai apontar que a taxa de vacinação é de mais de 60% da população. Segundo os integrantes do governo, essa vacinação já garante um sinal positivo para a recuperação da economia.

Mas a viagem ocorre em meio a uma forte turbulência na ala econômica do governo e, segundo diplomatas estrangeiros, as incertezas sobre o destino do ministro Paulo Guedes também estarão nos debates extraoficiais.

Sem vacina, o presidente terá de mostrar um teste PCR para poder fazer parte dos encontros. Mas, por Roma, sua vida não será facilitada. A Itália, desde a semana passada, adotou regras rígidas sobre a vacinação, incluindo a exigência do passaporte sanitário para entrar em restaurantes, bares e outros estabelecimentos.

Em setembro, Bolsonaro viajou para Nova York para a Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e, sem ser vacinado contra a covid-19, teve momentos de constrangimentos pela cidade americana. Num dos dias, ele e sua delegação tiveram de comer pizza na calçada.