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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

CPI, Prós, Contras, Renan e a Velha Política

27.abr.2021 - À mesa, o relator da CPI da Covis, senador Renan Calheiros (MDB-AL) em pronunciamento - Edilson Rodrigues/Agência Senado
27.abr.2021 - À mesa, o relator da CPI da Covis, senador Renan Calheiros (MDB-AL) em pronunciamento Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

19/10/2021 15h00Atualizada em 19/10/2021 15h43

A CPI produziu muita coisa boa, ajudou a esclarecer pontos importantes, colaborou para trazer à tona fatos novos relevantes, desnudou a atuação do governo. Merece elogios e reconhecimento. Porém, não é uma nuvem cheia de anjos, mesmo no bloco oposicionista. E produziu também um circo, com absoluta convicção do que estava fazendo. Ser espetaculosa fez parte do roteiro, onde á exceções como o senador Alexandre Vieira, em grande parte da sua atuação.

No final, quando deveria estar mais unida para o relatório conclusivo, houve um racha produzido não só pelo vazamento de Renan, que foi a causa propalada, a chamada dor referida, contudo o imbróglio possui mistura de egos vagando pelo espaço da mídia, interesses particulares de mais de um componente, e partilha do sucesso.

O bolso é o órgão mais sensível do ser humano, o ego é o mais perigoso, e atropela todos nós, ninguém está imune. Porque a autoestima é componente necessário para as pessoas realizarem algo.

Porém, entre os estilhaços egoicos e petardos de interesses, Renan se destacou com saliência.

Renan navegou a CPI toda utilizando-a para sanear seu passado e se recupera do ostracismo ao qual foi relegado desde que perdeu para Alcolumbre. Quando passou recibo da derrota.

Renan sempre procurou fazer com que o depoente falasse o que ele queria ouvir para escrever, forçava a barra em nome do bem, não teve paciência nem moderação com os intimados, e sempre repetia incansavelmente: "estou fazendo uma pergunta objetiva, em nome das vítimas, dos brasileiros" como um bom samaritano, mas que precisa, pelo seu passado, apregoar sua mudança. Escudando-se estar, dessa vez, do lado da maioria da opinião pública, esquecendo-se de quando esteve contra, não deu a menor bola ao nos ofertar as piores coisas no Senado Federal. O problema de Renan é achar que os outros são bobos e não perceberam como ele surfava. Aziz é doce na voz, mas é uma águia. Porém, como Renan surfava a favor da onda que os outros queriam, eles, os outros senadores, também, solertes e astutos, não fizeram reparos. Pau que bate em Chico, bate em Francisco.

Todavia, a hora do frigir dos ovos chegou e Renan não dá vaza, nem deixa espaço na porteira quando tem seus interesses em jogo. Saiu adiante numa atitude infeliz, mas previsível. Rompeu com a união que o poupou de tantos sacrilégios na CPI, para sair em destaque na foto da mídia. Dar entrevistas do lado que a imprensa está, é inebriante.

Renan e CPI são um oximoro. Esta tenta dar um passo novo no processo de não deixar um presidente fazer o que quer e afrontar a população. Renan é a Velha Política em ação.

O lobo perde o pelo, mas não perde o vício.

Espera-se que o senador Tasso Jereissati consiga reconciliar os oposicionistas da CPI em hora tão importante para a sociedade. Hora que Renan não está dando a menor bola para o comedimento e o trabalho com o senso das proporções. Vale tudo.

A Velha Política não é um apanágio do Centrão. É um mal que afeta o Brasil há tempos, e que Renan é um usuário contumaz. Só que agora está de pé trocado.

Importante que os outros senadores não se deixem contaminar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL