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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Chapa Lula/Alckmin esbarra na ganância do PT

Geraldo Alckmin e Lula  - Zanone Fraissat/FOLHAPRESS
Geraldo Alckmin e Lula Imagem: Zanone Fraissat/FOLHAPRESS
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

06/12/2021 11h37

A chapa Lula/Alckmin tem um sério problema: a ganância do PT.

O PT é engraçado, cômico, se não fosse trágico. Quer tudo de bom para si, e não abre mão de nada para o aliado que deseja conquistar. É um menino mimado que quer brincar com o vizinho, mas só do jeito que ele mimado deseja. Mimado e autoritário. O PT é isso,

Isso na melhor hipótese. É também esquizofrênico em suas opções, porque na verdade busca o poder acima dos princípios apregoados.

O PT almeja que Alckmin lhe dê votos, sobretudo no interior de SP, praticamente elimine a hipótese de terceira via, assegure a eleição de Lula em outras palavras e ainda abra caminho para Haddad ter possibilidade em SP. Só isso. Em troca: nada.

Alckmin tem grandes problemas a resolver em seu eleitorado: a justificativa para uma chapa, com um partido que tanto rejeita seu passado no PSDB e o conflito dos aliados de Alckmin no Interior com o PT nas bases municipais.

Alckmin embarcou na tese do semáforo alemão de Olaf Scholz, onde foi realizado um acordo entre os partidos vermelho, amarelo e verde, tradicionais adversários, em nome da governabilidade alemã.

Todo movimento atípico precisa de uma tese nobre a embasá-lo. O momento, segundo Alckmin, solicita um acordo maior, de contrários, para garantir a extirpação da desventura bolsonarista.

Há dois entraves nessa tese: não só as condições alemãs são diferentes, como o PT não está disposto a abrir mão de poder para governar. Portanto, ela não se coaduna com a realidade que temos, tornando-se pouco crível e entendida por aqui.

Lula não ajuda em nada, além de falar palavras carinhosas a Alckmin, coisa que não fazia antes, e que ele não justifica o embasamento da mudança.

Cria conceitos impactantes como: Alckmin é o único tucano que gosta de pobre. O que além de não ser verdade, é vazio. Tem a mesma consistência do: Vou botar o pobre no Orçamento. Que é um frase sabida, esperta, que em termos de marketing consegue passar para a população mais carente, que ela terá atenção, mas não diz como.

O pobre está no Orçamento, só que de maneira nem sempre correta e que arrefeça a desigualdade, e parte desse problema existiu também na gestão de Lula e Dilma, sem que o PT cuidasse de arrumar o que estava errado, gerando a maior concentração de renda na mão dos 0,5% mais ricos, embora tenha feito uma desconcentração de renda na lasses B, C e D.

O PT só se apropriou do que deu certo, o erro não obteve comentários. É um gesto teatral.

Alckmin está sendo pressionado por muitos, não poucos, aliados para não fazer a aliança e retomar seu sonho de lidar com questões nacionais em 2026, após realizar um governo marcante em SP, onde pode cuidar de todos os problemas do Brasil, pois SP é a síntese do país e cenário econômico que reproduz as questões mais graves, como desigualdade.

Um governador de SP, se quer ser presidente do Brasil, deveria só se dedicar a efetivar uma administração brilhante e dedicada em SP. É suficiente para despontar e vencer.

Junto com essa possibilidade que agrada mais aos aliados, a ganância do PT, que não deseja abrir espaço para que Márcio França seja o candidato do acordo em SP, sem entrar no mérito se ele é a melhor opção, porém vislumbrando a proposta de retorno que o PSB deseja, tem criado muitos problemas. Assim como a mesma postura à esquerda com Boulos.

Velho e carcomido ditado: quem tudo quer nada tem, pode ser um corolário do PT.

O PT quer apoio de Alckmin e Boulos, a este promete, sem ter menor histórico de cumprir promessas, a Prefeitura. Para Alckmin nada explícito, talvez um ministério, talvez alguma atividade, sem compromisso futuro.

O PT não enxerga que a sociedade o enxerga. Não somos um bando papalvos e pacóvios que não percebem uma jogada sempre egoísta, egocentrada. O partido precisa de um bom divã, antes de pretender o poder.

A chapa Lula/Alckmin tem uma pedra no caminho. E o PT não deseja removê-la. O PSOL também sabe disso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL