PUBLICIDADE
Topo

José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Solução para o Brasil: mais Appys, mais Nerys, menos terrorismo fiscal.

08.08.2021- Rebeca Andrade carrega a bandeira do Brasil  - Miriam Jeske/COB
08.08.2021- Rebeca Andrade carrega a bandeira do Brasil Imagem: Miriam Jeske/COB
Conteúdo exclusivo para assinantes
José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

18/01/2022 18h23

A armadilha maior do Brasil é a desigualdade.

Há como combatê-la sem cometer insanidades fiscais, que ninguém quer, nem tornar a trajetória da dívida impagável.

O foco nosso deve ser a diminuição drástica da desigualdade, iniciando pela extinção da extrema pobreza, que pode ser efetuada em três anos no Brasil.

Precisamos de um Orçamento Base Zero, para rever todos os vícios e privilégios contidos nos orçamentos anteriores; uma boa reforma política, que permita governar sem presidencialismo de coalizão; reforma tributária; reforma administrativa e todos os ministérios com pelo menos três projetos direcionados para extinção da extrema pobreza: um de prazo curto, seis meses; outro de média, dois anos e um de longo prazo, três anos e meio. Criando sinergia e foco obsessivo. Precisamos ter uma meta para a pobreza. Retirar 100 bilhões das isenções e desonerações, que não estão trazendo o devido retorno, e acionar os fundos que têm dinheiro parado.

Precisamos e temos mais propostas, que podem ser incluídas nesses projetos dos ministérios, ou fazer parte dos 5 projetos diretamente vinculados à presidência da República, ou seja de preocupação diuturna do presidente, como a meta para a pobreza.

Mas, necessitamos também de gente como Bernard Appy, que trouxe mais uma contribuição ao país, em artigo que pretendo esmiuçar mais em próximas colunas, no caso, ele propunha que trabalhadores de menor renda tenham regra uniforme de contribuição, em "Tratando igualmente os brasileiros " (Estado de SP, 18/1).

Appy já forneceu grande contribuição com o projeto de Reforma Tributária, bem elaborado, e que o deputado Baleia Rossi apresentou à Câmara dos Deputados.

Assim como Appy, Pedro Fernando Nery tem comparecido em seus artigos não só com análises, mas defendendo propostas concretas e bem endereçadas, como a criação de um regime de metas para a pobreza no Brasil, Estado de SP,18/1,"O progresso vetado", que também vou destrinchar mais, em outra coluna.

Em vez de terrorismo fiscal, em vez de ficarem olhando números econômicos, para assustar as pessoas, e dar a entender que não podemos gastar com programas sociais, nem fazer um combate orçamentário mais sério contra a pobreza, que pode ser obtido com a realocação de verbas e fins de privilégios e rubricas inexplicáveis, eles apresentam soluções.

Nós vivemos nessa desigualdade, porque queremos, é possível reduzi-la muito e extinguir a vergonha da extrema pobreza.

Brasil não é pobre, já foi a sexta economia do mundo em 2011, hoje, apesar de tudo, é a oitava economia em PPC (Paridade de Poder de Compra) e 12° em PIB em dólar, com toda desvalorização da nossa moeda.

Não somos ricos como outros países, mas não somos pobres. Temos uma renda per capita média, com uma imensa concentração de riqueza nas mãos de poucos, e isso aconteceu também no governo Lula, em que pese a distribuição que fez. Concentrou dinheiro nos 0,5% mais ricos do Brasil. Somos um país com renda de média a boa, com muita pobreza. Fruto da distribuição absurdamente desigual.

Com mais Bernard Appy e mais Pedro Nery, e menos terrorismo fiscal, conseguiremos trilhar um caminho para sair dessa armadilha que nos envergonha da desigualdade imensa.,