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Opinião

Google mostra que eleições em SP e Rio são mais complicadas do que parecem

Durante o programa Análise da Notícia, o colunista do UOL José Roberto de Toledo fez uma análise dos possíveis cenários para as eleições municipais em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com base em dados do Google Trends, ele avaliou que o cenário ainda é incerto em ambas as capitais, sobretudo em São Paulo.

Google mostra que eleições em São Paulo e no Rio de Janeiro são mais complicadas do que parecem.
José Roberto de Toledo

Apesar de não ser uma pesquisa de intenção de votos, as buscas feitas no Google são indicadores do quanto as pessoas ou, neste caso, os possíveis candidatos, estão na cabeça das pessoas e despertam algum tipo de curiosidade.

O Google Trends consegue medir o grau de conhecimento das pessoas sobre determinados candidatos, e isso é muito importante em uma eleição.

Em São Paulo, o cenário é bem incerto entre candidatos que disputam espaço do centro para a direita. Considerando a análise do Google Trends para todo o Brasil nos últimos 30 dias, Kim Kataguiri (União Brasil) aparece em vantagem.

Em uma comparação com o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) e com Ricardo Salles (PL), Kim lidera com 31 pontos, contra 20 do atual prefeito e 17 de Ricardo Salles.

No entanto, quando as buscas são restritas ao estado ou à cidade de São Paulo, o cenário muda. Neste caso, é Ricardo Nunes quem lidera.

Nas buscas feitas apenas no estado de São Paulo, o atual prefeito aparece com 43 pontos, contra 23 de Kim e 18 de Ricardo Salles. Já nas buscas feitas apenas na cidade de São Paulo, a vantagem de Nunes é ainda maior. O atual prefeito aparece com 58 pontos, ante 29 de Kim Kataguiri e apenas 11 de Ricardo Salles.

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A disputa pelo lugar de representante da direita em São Paulo ainda está aberta e Kim Kataguiri, por exemplo, ainda não conseguiu se viabilizar como candidato do União Brasil. O vereador Milton Leite, manda-chuva do partido em São Paulo, prefere apoiar Ricardo Nunes.

Ricardo Salles, por sua vez, não tem apoio do presidente do PL e cogita sair do partido para disputar a eleição por uma nova legenda, que seria formada a partir da fusão do Patriota com o PTB.

O papel central a ser jogado vai ser pelo Bolsonaro. Porque o Ricardo Nunes quer o apoio do ex-presidente, mas não quer colocar Bolsonaro no palanque porque Bolsonaro perdeu a eleição em São Paulo. Então, ele corre o risco de perder mais votos do que ganhar. Ele quer os votos dos bolsonaristas mas não quer esfregar Bolsonaro na cara de seus outros eleitores, e isso dá esperanças para Ricardo Salles tentar se viabilizar, seja pelo PL ou em outro partido.
José Roberto de Toledo

Quando Guilherme Boulos (PSOL) entra na disputa, o cenário muda bastante. O índice de buscas por Ricardo Nunes cai de 58 pontos para 27, enquanto o interesse pelo pré-candidato do PSOL é de 54 pontos.

Boulos já é muito conhecido e está sabendo usar sua exposição, mas as buscas no Google não significam que ele irá vencer. Ricardo Nunes tem a máquina pública e apoio de vereadores poderosos. Então, é muito difícil tirar o atual prefeito de um eventual segundo turno das eleições.

O Google confirma o que as pesquisas mostram: que a disputa está entre Boulos e Nunes. Mas, para minha surpresa, mostra que há possibilidade, sim, de um candidato bolsonarista, seja Ricardo Salles ou alguém que também trafega nessa área da direita como Kim Kataguiri, atrapalharem os planos de reeleição do atual prefeito.
José Roberto de Toledo

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Já no Rio de Janeiro, o Google Trends mostra que o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) é com bastante folga o nome mais conhecido que deve disputar as eleições.

Além disso, há incertezas em torno dos nomes dos candidatos da direita. Braga Netto, que era um possível nome, tornou-se inelegível por uso eleitoral dos atos de 7 de setembro do ano passado.

Ainda assim, nos últimos 30 dias, as buscas envolvendo o Paes e Braga Netto mostram uma vantagem de 52 pontos do atual prefeito ante 12 do adversário, se considerarmos buscas feitas em todo o país. Quando as buscas são feitas apenas no município do Rio de Janeiro, a vantagem é maior ainda, 94 contra 2.

Outro possível nome da direita é Eduardo Pazuello, que pode substituir Braga Netto. Mas mesmo o ex-ministro da Saúde está muito atrás de Eduardo Paes.

Nas buscas feitas no Google em todo o Brasil, o atual prefeito vence por 51 pontos contra 16. E se o recorte for apenas no Rio de Janeiro, a vantagem é de 94 contra 4 de Pazuello.

A um ano da eleição, muita coisa pode acontecer. Mas o ponto é que o bolsonarismo, diferentemente de São Paulo, não tem um candidato óbvio e vai precisar trabalhar muito para conseguir uma candidatura. O que está claro é que no Rio de Janeiro, que é o berço do bolsonarismo, neste momento, eles incrivelmente estão sem um candidato viável.
José Roberto de Toledo

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O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 18h30.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja abaixo o programa na íntegra:

Errata:

o conteúdo foi alterado

  • O nome do prefeito do Rio é Eduardo Paes, não Ricardo Paes, como informou equivocadamente a primeira versão deste texto. O texto foi alterado.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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