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Opinião

Falta de consenso na pandemia aumentou piora no desenvolvimento humano

No Análise da Notícia desta terça (28), o colunista José Roberto de Toledo afirmou que a falta de consenso durante a pandemia da Covid-19 aprofundou a piora no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal dos estados brasileiros, segundo relatório apresentado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano).

O dissenso, a desunião, aquilo que o Bolsonaro se especializou em promover, ficar atacando sempre alguém nas redes sociais, ou em palanques, ou na frente de quartéis, isso é a pior coisa que pode ter pra um país, pra um estado, pra uma cidade.

A vida dele inteira é promover o dissenso, é promover a desunião, é promover a balbúrdia, é o golpe, é o atentado, é explodir instalações públicas. Enfim, esse é o resultado do bolsonarismo. Esse, para mim, é o resultado mais claro e evidente de como o bolsonarismo faz o Brasil andar para trás.

A síntese dessa história é que o dissenso durante a pandemia aumentou a piora no desenvolvimento humano, intensificou a piora no desenvolvimento humano. E isso é única e exclusivamente obra dos líderes políticos que promovem o dissenso, que promovem os ataques e a culpabilização do outro, os ataques das minorias, ou até as maiorias. É isso, tá aqui, tá escancarado na nossa cara agora e só não vai querer ver quem ama o Bolsonaro de paixão.

Toledo comparou os dados divulgados pelo Pnud do Distrito Federal, a unidade federativa mais rica do Brasil, com os índices do Maranhão, a federação mais pobre do país —as informações levam em conta números de 2021 em relação aos de 2019.

A lógica morreu junto com mais de um milhão de brasileiros por causa do Bolsonaro, e deu o contrário, o IDH do Distrito Federal caiu duas vezes mais do que o IDH do Maranhão, o dobro, o prejuízo foi o dobro. Distrito Federal caiu em tudo, caiu em renda, em educação caiu 3%, em renda caiu 2,4%, mas o que derrubou mesmo foi a longevidade: caiu mais de 10%. É muita coisa em dois anos, é andar muito para trás. Não é à toa que na época os especialistas da UNB, Universidade de Brasília, falavam de colapso do sistema de saúde do Distrito Federal.

O Maranhão sofreu bastante com a renda porque aquela história de você não poder trabalhar, ficar em casa, todo mundo sofreu. Mas perdeu menos de 2% da renda, 1,8% do índice de renda e cresceu em educação, de 2019 para 2021, no auge da pandemia.

Em relação à longevidade, a queda no Maranhão foi de 1,8%, menos acentuada que a do DF.

A explicação para a diferença de resultados é justamente a falta de convergência sobre regras sanitárias, vacinação e isolamento, segundo Pnud.

A gente deve se perguntar por que raios a unidade mais rica do Brasil despencou e a unidade mais pobre melhorou durante a pandemia. Essa é uma tese que eu tenho de há muito tempo, mas eu vou colocar na boca do Claudio Provida que é o representante residente do Pnud no Brasil.

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O Claudio Provida chegou à conclusão que o que fez a diferença durante a pandemia para alguns estados terem um desastre ainda pior foi o dissenso porque aqueles estados que conseguiram algum consenso nas suas ações, todo mundo caminhou ou a grande maioria caminhou na mesma direção, vamos respeitar as regras, vamos vacinar, vamos respeitar as políticas de isolamento, enfim seguiram todos juntos, esses estados como Maranhão sofreram menos. Já os estados, onde o dissenso foi maior, sofreram muito mais. E está aí a prova. O Distrito Federal é a casa do Bolsonaro. José Roberto de Toledo, colunista do UOL


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O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 13h e às 14h30.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja abaixo o programa na íntegra:

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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