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Opinião

Candidato provisório infla poder de Bolsonaro na eleição municipal

No Análise da Notícia desta terça (4), o colunista José Roberto de Toledo afirmou que a adoção de candidatos provisórios nas eleições municipais deste ano ajuda a inflar o poder do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a pressionar os atuais prefeitos que estarão na disputa.

Em geral, esses candidatos a prefeitos provisórios ajudam a aumentar a influência do Jair Bolsonaro nas eleições municipais. A multiplicação dos nomes, principalmente na direita, nos cenários pré-eleitorais, pressiona os prefeitos nas disputas pelo comando das capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo. E o Bolsonaro, com isso, ganha o quê? Ganha o poder de chantagem. É isso que ele ganha.

Em São Paulo, a indicação de um vice pressiona Nunes e, no Rio, a presença de nomes como o de Alexandre Ramagem (PL), ligado a Bolsonaro, intensifica a pressão sobre Eduardo Paes (MDB).

Em São Paulo, o nome, por exemplo, do Pablo Marçal divide as intenções de voto do prefeito Ricardo Nunes. O Pablo Marçal é pré-candidato pelo PRTB, Ricardo Nunes é o atual prefeito pelo MDB. E estão fazendo uma pressão adicional para o Ricardo Nunes, candidato à reeleição, aceitar um vice indicado pelo Bolsonaro.

No caso, Bolsonaro indicou um ex-comandante da Rota, que é a tropa mais violenta da Polícia Militar de São Paulo. A grande experiência dele foi ter sido presidente do Ceagesp durante o governo Bolsonaro, que é a companhia de abastecimento da cidade.

Já no Rio de Janeiro, a pulverização dos cenários eleitorais com nomes de direita ligados a Bolsonaro, vários, do Ramagem, entre outros, divide as intenções de voto do atual prefeito do Eduardo Paes e diminui a chance de ele conseguir se reeleger já no primeiro turno. Ele tem uma aprovação mais alta que a do Ricardo Nunes.

Toledo disse ainda que as pesquisas de intenção de voto neste momento servem para medir o grau de conhecimento dos candidatos e mostrar como ficam os cenários nas disputas.

A essa altura da pré-campanha, a eleição está longe de passar pela cabeça da maioria dos eleitores. A pesquisa acaba sendo o que a gente chama de imposição de problemática. O entrevistado tem que responder sobre alguma coisa que ele mal pensou. E o resultado, em larga parte, é reflexo não da convicção do eleitor, mas o grau de conhecimento que ele tem sobre os candidatos.

Então, o cara ouviu falar do Pablo Marçal, ele cita lá o Pablo Marçal. Sem contar as taxas ridículas que algumas enquetes e algumas pesquisas dão para taxa de definição dos eleitores a essa altura do campeonato. É piada, né, gente? Quem está pensando em eleição agora, quem sabe citar sem ter estímulo, sem dizer qual é o nome dos candidatos. Então, essas pesquisas, feitas nesse momento, são importantes, claro que são importantes, mas para quê? Para medir o grau de conhecimento dos candidatos, é isso que você está medindo, e para medir o que acontece em cada cenário. José Roberto de Toledo, colunista do UOL

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O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 13h e às 14h30.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja abaixo o programa na íntegra:

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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