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Braga Neto melhora estatísticas de desemprego

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/07/2020 05h17

A crise do coronavírus foi implacável com os empregos. Excluindo-se os subempregados e os desalentados, há no olho da rua cerca de 13 milhões de brasileiros. O general Braga Neto, ministro-chefe da Casa Civil, ainda não acendeu as fornalhas do programa de desenvolvimento Pró-Brasil. Mas já conseguiu melhorar as estatísticas familiares.

A Casa Civil autorizou a Agência Nacional de Saúde a acomodar em sua folha Isabela Oassé de Moraes Braga Netto, filha do general. Ela ocupará a função de gerente de Análise Setorial e Contratualização com Prestadores. Salário mensal de R$ 13 mil.

Aos pouquinhos, vai ficando claro que, no lusco-fusco do convívio com o poder, as fardas são pardas. E o vício é apenas um nome que a virtude militar inventou para atrapalhar as vantagens dos outros.

Enganchar familiares no déficit público é um hábito tão arraigado que Braga Netto poderia até evocar o direito consuetudinário, aquele baseado nos costumes. Bem verdade que o Supremo editou em 2008 uma súmula que proíbe o nepotismo. Mas sempre se poderá alegar que isso é coisa de toga comunista.

- Atualização feita às 23h desta quarta-feira (22): A repercussão negativa levou a filha do chefe da Casa Civil a desistir do cargo que ocuparia na ANS.

Josias de Souza