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Sem futuro, Witzel diz estar 'apenas começando'

PILAR OLIVARES
Imagem: PILAR OLIVARES
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

22/09/2020 05h01

A epidêmica roubalheira mostra que o Rio de Janeiro vive um extraordinário e renitente Baile da Ilha Fiscal. Agora, naturalmente, sem fiscal. Com a carreira política jurada de morte, o governador afastado Wilson Witzel fala como se estivesse cheio de vida.

Nesta quarta-feira, Witzel amargará na Assembleia Legislativa a aprovação da continuidade do processo de impeachment. Diante da atmosfera de jogo jogado, os deputados levaram ao baralho a carta da renúncia. Em resposta, Witzel soltou uma nota oficial para avisar: "Resistirei."

Às voltas com o risco de se tornar o sexto governador do Estado a passar pela cadeia, Witzel decidiu fazer uma escala no mundo da Lua: "Politicamente, a minha história está apenas começando. Lutarei pelo estado do Rio de Janeiro e pela democracia. Juridicamente, minha absolvição e meu retorno imediato ao cargo no qual o povo me colocou é o único caminho possível."

Morrer significa, em última análise, um pouco de vocação. A essa altura, Witzel tornou-se um vivo tão pouco militante que até os deputados estaduais mais enlameados do Rio de Janeiro são tomados de assalto (ops!) por um desejo irrefreável de lhe enviar coroas de flores ou de lhe atirar na cara a derradeira pá de cal.

O mais inquietante é que o governador substituto Cláudio Castro também tem uma tremenda vocação para cadáver político. Nem esquentou a poltrona de governador e já convive com uma interrogação incômoda: Será que termina o que resta de mandato?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL