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Josmar Jozino

Novo chefe do setor jurídico do PCC começou no crime clonando cartões

Bruno Fernando de Lima Flor, 36, o Armani, usa caixa eletrônico pouco antes de ser preso  - Reprodução
Bruno Fernando de Lima Flor, 36, o Armani, usa caixa eletrônico pouco antes de ser preso Imagem: Reprodução
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

19/11/2020 12h31

Apontado pelo MPE-SP (Ministério Público Estadual) paulista como o novo chefe nacional do setor jurídico do PCC (Primeiro Comando da Capital), Bruno Fernando de Lima Flor, 36, o Armani, preso na quarta-feira (18) em São Paulo, começou no crime em 2010 clonando cartões de banco. Ele foi o principal alvo da operação Fast Track, que teve apoio da Polícia Militar.

Além de Armani foram presos oito advogados. Ele é acusado de usar dinheiro do crime organizado para pagar defensores contratados com a missão de repassar recados dos líderes do PCC recolhidos em penitenciárias federais.

As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPE-SP) apontaram que, a partir de fevereiro de 2019, quando os líderes do PCC foram transferidos para penitenciárias federais, Armani recebeu da cúpula da organização poderes para assumir o comando nacional do braço jurídico da maior facção criminosa do país.

Armani estava solto desde março de 2018, quando progrediu para o regime aberto, após ser submetido a exame criminológico em um presídio no interior de São Paulo. Na entrevista com psicólogos, ele prometeu mudar de vida. Mas mentiu, segundo o MPE.

O teste psicológico concluiu que Armani não apresentava indícios de agressividade e impulsividade, demonstrava arrependimento pelos crimes cometidos, tinha vínculos familiares e religiosos conservados, objetivos concretos para o futuro e metas para a inserção social.

Durante a avaliação, Armani assumiu os atos ilícitos praticados (roubos e furto) e declarou que o tempo na prisão serviu como um aprendizado de vida. Ele contou que entrou no crime por causa do uso de drogas e por influência dos amigos.

Uma vez preso, Armani teve contato com líderes do PCC

Disse que foi criado pela mãe, tem mulher e dois filhos, estudou até o 1º ano do ensino médio e abandonou os estudos para trabalhar como ajudante em uma padaria, uma loja de pneus e em uma lanchonete. Acrescentou que pretendia voltar a estudar e trabalhar com o apoio da família.

O MPE apurou que Armani ficou preso nas penitenciárias paulistas de Iaras e Reginópolis, onde participou de rebeliões e chegou a ser apontado como negociador do PCC durante os motins. Depois disso foi transferido para a Penitenciária 1 de Avaré (SP).

Em setembro de 2016 acabou removido para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), e lá cumpriu parte da pena com líderes do PCC.

Para a Polícia Militar ele contou, ao ser preso em casa na Mooca, zona leste da capital paulista, que era "disciplina" (espécie de supervisor da facção) de esporte no pavilhão em que se encontrava recluso.

Operação prendeu oito advogados suspeitos de ligação com o crime

Ao conceder o benefício do regime aberto para Armani, a Justiça o proibiu de mudar de endereço e de se ausentar da comarca onde mora. Em abril deste ano, ele recebeu autorização para viajar com a família para Fortaleza. Ficou uma semana em um resort.

O Gaeco deflagrou nesta quarta-feira (18) a operação Fast Track em três estados e no Distrito Federal com apoio de policiais militares e agentes do Depen (Departamento Penitenciário Nacional).

Segundo o MPE, foram alvos de mandados de prisão e de busca e apreensão oito advogados — quatro em Porto Velho, uma em Brasília, uma em Mossoró (RN) — cidades onde líderes do PCC estão recolhidos em presídios federais — e outros dois no estado de São Paulo.

Uma das advogadas, presa em São Paulo, ajudava, segundo o MPE, o PCC a lavar dinheiro comprando imóveis populares em nome de laranjas e de familiares de presos do grupo criminoso. O UOL não conseguiu contato com os defensores dos acusados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.