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Josmar Jozino

Em 12 anos, Europa apreende 190 toneladas de cocaína da América do Sul

Veleiro (ao fundo) interceptado com cocaína pela Marinha - Marinha do Brasil/Divulgação
Veleiro (ao fundo) interceptado com cocaína pela Marinha Imagem: Marinha do Brasil/Divulgação
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

19/02/2021 04h00

Mais de 190 toneladas de cocaína provenientes da América do Sul, principalmente do Brasil, foram apreendidas em águas do Atlântico e do Mediterrâneo com a ajuda de policiais de sete países da Europa entre os anos de 2007 e 2019. Os dados são da agência internacional de inteligência MAOC-N (Centro de Análises e Operações Marítimas - Narcóticos), sediada em Lisboa.

Para as autoridades europeias, o PCC (Primeiro Comando da Capital) é um dos principais fornecedores de cocaína para o Velho Continente. Até meados de 2020, a facção exportava ao menos uma tonelada da droga para mafiosos da Europa, na maioria das vezes via porto de Santos.

Segundo a MAOC — criada em 2007 em iniciativa conjunta da França, Irlanda, Itália, Espanha, Holanda, Portugal e Reino Unido — as 190 toneladas de cocaína apreendidas com narcotraficantes foram avaliadas em 12,6 bilhões de euros. Os policiais internacionais interceptaram 179 embarcações.

Do total de embarcações abordadas (125), a maior parte era de veleiros semelhantes ao Guruçá Cat, flagrado no último domingo (14) com 2,2 toneladas de cocaína, a 270 km da costa do Recife, em ação da Polícia Federal e da Marinha do Brasil. Cinco pessoas foram presas.

O delegado da Polícia Federal Elvis Aparecido Secco, coordenador-geral de Polícia de Repressão a Drogas e Facções Criminosas, disse ao UOL que a apreensão em Pernambuco é resultado da cooperação da MAOC e DEA (Drug Enforcement Administration) — a agência antidrogas dos Estados Unidos — com a PF e a Marinha brasileira.

Dois dias de buscas

A MAOC havia apurado que um veleiro iria transportar a cocaína do Nordeste brasileiro para a Europa. A partir dessa informação, agentes brasileiros realizaram dois dias de buscas no mar, desde o Rio Grande do Norte até Pernambuco.

Os policiais federais não tinham detalhes do veleiro. O serviço de inteligência da PF ficou atento com as embarcações com capacidade transoceânica, com condições de cruzar o Atlântico. Foi assim que o navio-patrulha Oceânico Araguari da Marinha interceptou o Guruçá Cat.

A Polícia Federal investiga quem são os vendedores e os compradores da droga. A PF apura ainda se os cinco brasileiros presos pertencem a alguma facção criminosa e se a cocaína foi encomendada por mafiosos europeus.

Elvis Secco afirmou que peritos da PF analisam o GPS do Guruçá Cat para saber qual era a rota do veleiro. O delegado acrescentou que, quando uma investigação começa com apreensão de droga, é mais difícil chegar ao topo da pirâmide dos narcotraficantes.

"Para chegar ao topo da pirâmide é necessário identificar os responsáveis pelas movimentações financeiras. Monitorando os líderes, os chefes, nós atingimos os caminhos da lavagem de dinheiro. O importante é descapitalizar as organizações criminosas", ressaltou.

No segundo semestre do ano passado, a Polícia Federal deflagrou importantes operações contra o tráfico internacional de drogas e bloqueou mais de R$ 1 bilhão em contas bancárias de pessoas ligadas ao PCC. Em agosto, a operação "Caixa Forte 2" bloqueou R$ 252 milhões e em setembro mais R$ 730 milhões na "Rei do Crime".