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Josmar Jozino

REPORTAGEM

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Acusado de guardar 20 mil papelotes de cocaína ficou preso só por 24 horas

Edson Maximiano de Lira em foto feita pela Polícia Civil após sua prisão em flagrante - Polícia Civil de São Paulo
Edson Maximiano de Lira em foto feita pela Polícia Civil após sua prisão em flagrante Imagem: Polícia Civil de São Paulo
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

20/02/2021 04h00

Acusado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de guardar 20 mil papelotes de cocaína em uma casa em Cotia (SP), Edson Maximiano de Lira, 45, o Max do PCC, foi preso em flagrante no último dia 11 por investigadores da Delegacia de Carapicuíba, mas ficou só um dia preso.

A Justiça de Itapecerica da Serra mandou soltá-lo, alegando que policiais entraram no imóvel sem mandado e que "a casa é asilo inviolável e ninguém nela pode penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre ou durante o dia por determinação judicial".

Na decisão judicial consta ainda que não há informação nos autos do flagrante de como se chegou ao nome do suspeito e ao imóvel onde as drogas foram apreendidas e também que a investigação não foi documentada.

Papelotes - Polícia Civil - Polícia Civil
Os 20 mil papelotes de cocaína apreendidos pesavam 15 kg, segundo laudo pericial
Imagem: Polícia Civil

A soltura de Max do PCC foi divulgada nesta sexta-feira (19), no programa "Brasil Urgente", exibido na Rede Bandeirantes de Televisão.

Para o delegado Marcelo Prado, de Carapicuíba, que apura o envolvimento de Max do PCC com o tráfico de drogas, o acusado foi preso em flagrante e, nesse caso, não é necessário ter em mãos um mandado judicial para entrar na residência.

O promotor de Justiça de Itapecerica da Serra, Ricardo Navarro Soares Cabral, recorreu da decisão judicial. Segundo o Ministério Público, o traficante solto já foi condenado por latrocínio (roubo seguido de morte) e ficou preso com integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

Liberdade cassada

O desembargador Zorzi Rocha, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, cassou a soltura de Max do PCC no último dia 15 e mandou expedir novo mandado de prisão contra o acusado. Ele foi libertado no dia seguinte à prisão e está foragido. Para a Polícia Civil vai ser difícil recapturá-lo.

A defesa de Max do PCC sustenta em petição judicial que a prisão dele foi abusiva e baseada em informação velada (denúncia anônima). A defesa do acusado diz ainda que as buscas pessoal e no imóvel de seu cliente foram feitas sem mandado judicial, tornando o flagrante completamente ilegal.

Na ficha criminal de Max do PCC, consta que ele foi condenado a 13 anos e quatro meses e também que já passou por vários presídios da capital e do interior.

Policiais civis disseram que Max do PCC era o responsável pela distribuição de drogas nas regiões de Cotia, Itapecerica da Serra e Carapicuíba. Acrescentaram que ficaram três semanas investigando o acusado.

A droga apreendida foi encaminhada para o Instituto de Criminalística da Polícia Científica. Laudo elaborado por peritos concluiu que os 20 mil papelotes pesavam 15 kg de cocaína.