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PMs escoltaram suspeito de chefiar 'tribunal do crime' do PCC

Rafael Maeda Pires, 29, o Japonês, apontado pelo MP como um dos chefões do "tribunal do crime" do PCC - Reprodução/Polícia Civil de SP
Rafael Maeda Pires, 29, o Japonês, apontado pelo MP como um dos chefões do 'tribunal do crime' do PCC Imagem: Reprodução/Polícia Civil de SP
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

25/03/2022 17h41

Rafael Maeda Pires, 29, conhecido como Japonês e apontado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo como um dos chefões do "tribunal do crime do PCC" (Primeiro Comando da Capital), era chamado de VIP entre um grupo de policiais militares da zona leste paulistana.

VIP é a sigla em inglês de "very important person". Na tradução para o português, a expressão significa "pessoa muito importante". Era dessa forma que Japonês costumava ser tratado por PMs que faziam sua escolta particular.

A revelação foi feita à Polícia Civil por um PM durante depoimento em um inquérito que investiga um homicídio atribuído ao sargento Farani Salvador Freitas Júnior, 38. Ele está preso sob a acusação de ser o mandante da morte do cabo Wanderley Oliveira Junior, também de 38 anos.

Segundo o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), o cabo, morto em 5 de fevereiro de 2020, em Itaquera, zona leste de São Paulo, tinha descoberto que o sargento recebia R$ 200 mil de traficantes de drogas da Favela Caixa D'Água, em Cangaíba, onde Japonês era um dos chefes, e foi assassinado por isso.

No depoimento ao DHPP, o policial militar contou que Japonês era o patrão de Farani. O PM disse que ele e o sargento faziam escolta para o "VIP". Acrescentou também que exercia essa atividade apenas em dias de folga e para complementar a renda.

O PM deixou claro que não dirigia para o "VIP". A função dele era seguir o veículo da frente, ocupado por Japonês. O policial militar afirmou que ele fazia o acompanhamento dirigindo um Toyota Corolla, preto e blindado, cujas placas disse não se recordar, e com o sargento ao lado, no banco do passageiro. Farani também depôs e confirmou ter feito escolta para o patrão "VIP".

Segundo o policial militar, quando Farani não chamava Japonês de VIP se referia ao patrão como "amigo". O PM revelou também que sempre buscava Japonês no bairro do Parque São Jorge, perto do Corinthians, na zona leste.

O acompanhamento, na maioria das vezes, era para restaurantes. O militar disse que Farani desembarcava do Corolla para acompanhar o VIP e que ele aguardava o retorno de ambos no carro. Japonês sempre o cumprimentava de longe, acenando a mão. O PM fez a escolta durante um ano.

Prisões revogadas

Japonês é investigado pelo DHPP por suspeita de envolvimento em uma série de mortes registradas na zona leste de São Paulo. A maioria das vítimas tinha ligações com integrantes da cúpula do PCC.

Na lista de mortos, estão Noé Alves Schaun, 42, Cláudio Marcos de Almeida, 50, o Django, e Anselmo Becheli Santa Fausta, 38, o Cara Preta. Este último era um dos maiores narcotraficantes do Brasil, simpatizante do PCC e ligado a Japonês. Segundo o DHPP, Cara Preta foi morto por Noé a mando do empresário Antonio Vinícius Lopes Gritzbach.

O DHPP sustenta que o empresário recebeu de Cara Preta R$ 40 milhões para investir em criptomoedas e, como a negociação não deu certo, Gritzbach foi ameaçado e por isso mandou matá-lo.

Dias depois de ter matado Cara Preta, Noé foi sequestrado, torturado e assassinado. Ele teve a cabeça decepada e jogada em uma rua do Tatuapé. Django foi morto porque era amigo de Cara Preta e não fez nada para impedir a morte dele.

Gritzbach estava preso desde o dia 8 de fevereiro deste ano. O juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri da Capital, revogou hoje à tarde a prisão temporária dele e também a de Japonês.

A mesma medida foi estendida ao agente penitenciário David Monteiro da Silva, 37, acusado de ter contratado o pistoleiro Noé para matar Cara Preta.

Os advogados Ivelson Salotto e Carlos Alberto Flauzino, defensores de Gritzbach, afirmam que ele é inocente de todas as acusações, não tem envolvimento com o crime organizado e jamais mandou matar alguém.

A coluna não conseguiu contato com os advogados de Rafael Maeda Pires, o Japonês, nem do agente penitenciário David Monteiro da Silva, mas publicará a versão deles assim que houver uma manifestação.