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Josmar Jozino

Acusado de matar Renan pediu ao Nosso Senhor do Bonfim para não ficar preso

 Acxel Gabriel de Holanda Peres foi preso em SP - Reprodução de vídeo/Jovem Pan
Acxel Gabriel de Holanda Peres foi preso em SP Imagem: Reprodução de vídeo/Jovem Pan
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

30/04/2022 17h13

A oração a Nosso Senhor do Bonfim pedindo proteção para nunca ser preso não ajudou o falso entregador Acxel Gabriel de Holanda Peres, 23, acusado de roubar e matar o jovem Renan Silva Loureiro, 20, no último dia 25, no Jabaquara, zona sul de São Paulo.

O criminoso, acusado por latrocínio (roubo seguido de morte) foi capturado por policiais civis na sexta-feira (29), na rua Sabinópolis, 95, Vila Curuçá, zona leste de São Paulo. A Justiça decretou a prisão temporária dele por 30 dias e deve convertê-la em preventiva na próxima semana.

O santo desta vez não ouviu as preces de Peres, o ladrão assassino, acusado de cometer crimes desde 2011, quando tinha 13 anos, segundo apuraram agentes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), unidade da Polícia Civil.

Toda vez que saía de casa na Rua do Céu, Vila do Encontro, zona sul de São Paulo, para fazer mais uma vítima, Peres levava na cintura um revólver 38 e no bolso da jaqueta o santinho com a oração do Bonfim, sempre rogando para não ser preso nem atingido por armas.

Um dos trechos da oração diz: "E outras armas que para mim levantarem ficarão suspensas no ar e não me atingirão. Outra parte tem a seguinte mensagem: "Corda que em mim botar nos pés há de cair, porta que me trancar há de abrir".

Peres até ontem permanecia trancado na carceragem do Deic. Antes, ele prestou depoimento acompanhado da advogada Maria Ligia Jablonca Jannuzi. A reportagem não conseguiu contato com a defensora, mas publicará a versão dela assim que houver manifestação.

Disque Denúncia ajudou

O assassinato de Renan causou comoção social e teve grande repercussão. A vítima estava acompanhada da namorada quando foi atacada pelo falso entregador. O jovem se ajoelhou e suplicou para não ser morto. O assaltante atirou nele e fugiu de moto após roubar o telefone celular.

Uma ligação anônima para o Disque Denúncia, efetuada no último dia 27, foi decisiva para a identificação e localização de Peres. O autor do telefonema informou que o assassino de Renan morava na rua Canto do Céu e que o pai do criminoso se chamava Cléber.

Policiais civis foram checar a informação e quando chegaram ao local, o segurança Cléber de Almeida Peres, 45, pai do ladrão assassino, fugiu, correndo pelos fundos de um terreno, assim que notou a presença dos agentes.

Acompanhados de uma testemunha, os investigadores entraram na casa do assaltante e encontraram um revólver calibre 38 com numeração raspada, provavelmente utilizado no crime, e uma jaqueta preta tipicamente usada por motociclistas.

Em outro endereço ligado a Peres, no Jabaquara, foram apreendidos uma caixa com 27 cartões, foto 3 x 4 de uma mulher, documentos de uma motocicleta, uma bolsa vermelha térmica com a marca iFood usada no roubo pelo falso entregador, além do santinho com a oração do Senhor do Bonfim.

Acxel Peres não foi localizado nos endereços da Vila do Encontro nem do Jabaquara. O assaltante resolveu se entregar após negociação da advogada dele, Maria Ligia Jablonca Jannuzi, com a Polícia Civil.

Segundo investigadores do Deic, às 12h28 de ontem, os agentes Felipe Wilson da Costa e Milene Bagalho Estevam Rios detiveram Peres na Vila Curuçá.

Na viatura em que chegou ao Deic, no entanto, também estava a bordo o novo delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, considerado pelos colegas como um "homem midiático".

Nico desceu do carro, foi ao compartimento de presos da viatura, segurou Peres pelo braço e o conduziu até as dependências do Deic. Repórteres fotográficos e cinematográficos registraram a cena.