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Médico renomado no Guarujá é suspeito de integrar o PCC, diz Polícia Civil

Paciente foi assassinado em hospital do Guarujá (SP) Imagem: Reprodução/Band
Josmar Jozino

Colunista do UOL

20/05/2022 04h00Atualizada em 20/05/2022 17h52

Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados telemáticos do ortopedista Alexandre Pedroso Ribeiro, 54, suspeito de colaborar com o "tribunal do crime" do PCC (Primeiro Comando da Capital) e facilitar o assassinato de um paciente internado no hospital Santo Amaro, no Guarujá (SP).

Segundo a Polícia Civil, Gilianderson do Santos, 37, havia escapado de um atentado e estava internado na manhã do último dia 24, quando dois homens usando capacetes de motoqueiros entraram no hospital e o mataram com vários tiros.

Imagens de câmeras de segurança mostram o médico saindo da sala onde a vítima estava. Poucos instantes depois, o ortopedista retorna e em seguida entram os matadores. Os criminosos dispararam à queima-roupa. Gilianderson morreu sentado na cadeira de rodas.

Os suspeitos pela autoria do homicídio foram identificados como Sandro Vieira da Conceição, 30, e Vitor Hugo Assunção, 26, condenados por roubos e tráfico de drogas. Ambos e o ortopedista tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada pelo juiz Edmilson Rosa dos Santos, da 3ª Vara Criminal do Guarujá. O médico está preso.

As investigações apontam que no dia do crime Alexandre demonstrava comportamento estranho, aparentava nervosismo e inquietação e ainda pressionava os colegas do hospital a darem alta a Gilianderson antes mesmo de o paciente ser submetido a exames.

Ortopedista Alexandre Pedroso Ribeiro, 54, é suspeito de colaborar com o "tribunal do crime" do PCC e facilitar o assassinato de paciente Imagem: Reproduçã/Band

Policiais civis apuraram que o ortopedista pediu para sair e fumar na sala onde estava Gilianderson. Os agentes descobriram também que antes do crime o médico fez diversas ligações, uma delas para um telefone em nome da mulher de Sandro, o suspeito de ser um dos atiradores.

Ao decretar a prisão temporária do trio, o juiz observou que "os suspeitos possuem históricos criminais e envolvimento com o narcotráfico, delinquência controlada pela facção PCC, que por vezes realiza os chamados tribunais do crime".

Gegê do Mangue e Paca

Em 2018, o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil, instaurou inquérito para apurar o suposto envolvimento do ortopedista na lavagem de dinheiro para Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, um dos maiores narcotraficantes ligados ao PCC.

Cabelo Duro coordenou, em fevereiro de 2018, os assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, na região metropolitana de Fortaleza (CE). Os dois eram da cúpula do PCC e foram acusados de desviar dinheiro da facção.

Uma semana depois do duplo homicídio no Ceará, Cabelo Duro foi assassinado com tiros de fuzil durante emboscada no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.

No decorrer das investigações sobre lavagem de dinheiro e associação à organização criminosa, o Deic ouviu várias pessoas próximas a Cabelo Duro. O ortopedista foi um dos intimados a prestar depoimento. A suspeita do Deic era a de que uma luxuosa embarcação em nome do médico era de Cabelo Duro.

O barco foi apreendido e o ortopedista indiciado. A defesa dele entrou na Justiça com habeas corpus, pedindo a suspensão do indiciamento e alegando que o cliente é um médico renomado no Guarujá, de família de classe alta e irmão de um famoso empresário ligado ao futebol.

Segundo os defensores, Alexandre é inocente de todas as acusações, jamais integrou o PCC e nunca teve envolvimento com pessoas investigadas por envolvimento com organização criminosa.

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