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Josmar Jozino

REPORTAGEM

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Marcola é transferido para presídio de Brasília, diz ministro da Justiça

Colunista do UOL

25/01/2023 21h21Atualizada em 26/01/2023 09h59

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O preso Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC (Primeiro comando da Capital), foi transferido na tarde de hoje (25), da Penitenciária Federal de Porto Velho (RO) para a Penitenciária Federal de Brasília, sob forte esquema de segurança.

O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, durante entrevista a veículos da EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Segundo ele, o motivo da remoção, que acontece no dia em que Marcola completou 55 anos, é a suspeita da existência de um plano de fuga de Marcola na unidade prisional.

A transferência foi feita de um presídio federal para outro, exatamente visando prevenir um suposto plano de fuga ou resgate desse preso. Portanto, essa operação se fez necessária para garantir a segurança da sociedade"
Flávio Dino, ministro da Justiça

O prisioneiro havia sido transferido para Porto Velho em março de 2022. Em agosto do mesmo ano, Marcola foi acusado pela Polícia Federal de envolvimento em um plano para sequestrar servidores públicos federais para usá-los como moeda de troca para sua libertação.

Na ocasião, a Polícia Federal deflagrou a operação Anjos da Guarda e expediu 11 mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Entre os alvos da PF estavam parentes e advogados de Marcola.

Marcola sendo transferido da Penitenciária Federal em Porto Velho para a Penitenciárias Federal em Brasília - Secretaria Nacional de Políticas Penais/Divulgação - Secretaria Nacional de Políticas Penais/Divulgação
Marcola sendo transferido da Penitenciária Federal em Porto Velho para a Penitenciárias Federal em Brasília
Imagem: Secretaria Nacional de Políticas Penais/Divulgação

Segundo investigações da PF e do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), o plano do PCC consistia em sequestrar servidores federais para forçar a libertação dos chefes da facção criminosa recolhidos nos presídios de Brasília e Porto Velho.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Marcola, mas publicará na íntegra a versão dos defensores do prisioneiro assim que houver uma manifestação.

Durante a operação Anjos da Guarda foram presas uma advogada de Três Lagos (MS), uma do Distrito Federal e duas de São Paulo. A PF também pediu a prisão de Cynthia Gilgioli Herbas Camacho, mulher de Marcola, e a da advogada e cunhada dele, Camila Giglioli, mas a Justiça negou.

Os agentes do Depen e da PF começaram as investigações em 2021, quando desconfiaram de diálogos mantidos entre os presos na Penitenciária Federal de Brasília. Várias horas de conversas entre líderes do PCC com defensores e visitantes foram gravadas com autorização judicial.

De acordo com os agentes federais, os prisioneiros falavam em código e sempre mencionavam a sigla STF para se referir a fuga da liderança recolhida na Penitenciária Federal de Brasília e STJ para cobrar o andamento da ação.

Os áudios e vídeos gravados nos parlatórios dos presídios de Brasília e de Porto Velho vazaram para a imprensa e foram amplamente divulgados. Até as conversas de Marcola com a mulher e o filho dele, menor de idade, foram veiculadas.

Fuminho

A Justiça Federal revogou as prisões preventivas das advogadas detidas e também de Marcola e de outros prisioneiros acusados de envolvimento no plano de fuga. Parte dos defensores foram denunciados pelo Ministério Público Federal por associação à organização criminosa.

Os demais acusados, incluindo a mulher e a cunhada de Marcola, ainda não foram denunciados. O processo continua tramitando na 15ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal.

Dados da SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária) apontam que a pena de Marcola é de 342 anos de prisão. Ele já condenado por roubos, homicídios, formação de quadrilha e associação à organização criminosa.

Fuminho, braço direito de Marcola participa de audiência judicial pela primeira vez depois de ter ficado 21 anos foragido - Reprodução - Reprodução
Fuminho, braço direito de Marcola participa de audiência judicial
Imagem: Reprodução

Com o retorno para a Penitenciária Federal de Brasília, Marcola vai reencontrar um velho parceiro: Gilberto Aparecido dos Santos, 52, o Fuminho. Os dois não se viam desde 1999, quando escaparam da Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo.

Recapturado em Moçambique em abril de 2020, Fuminho estava preso na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) e também foi removido para o Distrito Federal.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.

com autoplay