Josmar Jozino

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PF caça líder do PCC acusado de integrar maior esquema de tráfico de armas

Marcos Paulo Nunes da Silva, 50, o Baianinho Vietnã, homem da cúpula do PCC, já foi condenado por assalto a avião pagador, tráfico de drogas, furtos, roubos e formação de quadrilha. Passou quase a metade da vida atrás das grades — foram duas décadas encarcerado.

Em 2 de março de 2018 saiu pela porta da frente da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), principal reduto prisional do PCC, por ter cumprido a pena. Após pouco mais de cinco anos em liberdade, se envolveu, segundo investigadores, no maior esquema de tráfico de armas da história do Brasil.

Baianinho Vietnã foi um dos alvos da Operação Dakovo, deflagrada ontem pela Polícia Federal para combater o tráfico internacional de armas. Foram expedidos 25 mandados de prisões preventivas, seis temporárias e 56 de busca e apreensões no Brasil, no Paraguai e nos Estados Unidos.

No território brasileiro, os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo (na capital, em Sorocaba, na Praia Grande e em São Bernardo do Campo), no Paraná (Ponta Grossa e Foz do Iguaçu), em Minas Gerais e no Distrito Federal.

O líder do PCC não foi encontrado. A Polícia Federal caça Baianinho Vietnã — e a suspeita é que ele esteja escondido na Bolívia, junto com outros grandes assaltantes de bancos e traficantes internacionais de drogas ligados à maior facção criminosa brasileira.

O fugitivo é um velho conhecido da Justiça Federal. Em 6 de novembro de 1997, Baianinho Vietnã e seu bando roubaram R$ 4 milhões de um avião pagador no aeroporto de Congonhas (SP). A quadrilha foi presa pouco tempo depois. O líder do PCC acabou condenado por esse crime a 16 anos e 4 meses.

Escolhido a dedo pelo PCC

Segundo investigações da Polícia Federal, Baianinho Vietnã foi escolhido pela facção para ser o comprador de fuzis, pistolas, metralhadoras e munição para a organização criada anos presídios paulistas, utilizando o dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas.

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A PF diz que o armamento do PCC foi comprado por Baianinho Vietnã na empresa IAS, sediada no Paraguai e de propriedade do argentino Diego Hernan Dirísio. A companhia importou ao menos 43 mil armas da Europa.

Os fuzis e pistolas eram enviados para Assunção, onde tinham as numerações raspadas e depois oferecidas a grupos intermediários com atuação na fronteira do Brasil com o Paraguai e posteriormente revendidas para o PCC (Primeiro Comando da Capital) e também para o CV (Comando Vermelho) do Rio de Janeiro.

As investigações tiveram início em 2020, em Vitória da Conquista, na Bahia, quando agentes federais apreenderam 23 pistolas de origem croata, dois fuzis com indícios de adulteração, além de munição e carregadores. Dois homens foram presos.

Os telefones de ambos foram rastreados e os policiais chegaram ao restante do bando. O esquema movimentou R$ 1,2 bilhão em três anos. No Brasil foram realizadas 67 apreensões no período, totalizando 659 armas encontradas com criminosos em dez estados.

No Paraguai, a polícia local prendeu o general Arturo Gonzalez Ocampo, 57. Ele é um dos acusados de traficar armas da Europa para o Paraguai. Até o início da noite de ontem, o argentino Dirísio, considerado o maior traficante de armas da América do Sul, não havia sido encontrado.

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A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Marcos Paulo Nunes da Silva, Diego Hernan Dirísio e Arturo Gonzalez Ocampo. Se houver manifestação, o texto será atualizado.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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