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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Família Bolsonaro coordena disparo de vídeo em que Lula fala de coronavírus

Jair, Carlos e Flavio Bolsonaro - Flick Bolsonaro/Reprodução
Jair, Carlos e Flavio Bolsonaro Imagem: Flick Bolsonaro/Reprodução
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

11/03/2021 11h09

O senador Flávio e o vereador Carlos, filhos do presidente Jair Bolsonaro, estão desde ontem tentando posicionar uma defesa do pai em relação ao discurso do ex-presidente Lula. No início da manhã desta quinta-feira, os dois filhos mais velhos, em coordenação com integrantes do chamado gabinete do ódio, resgataram um trecho de uma entrevista do ex-presidente no ano passado.

Na ocasião, ao falar do papel do estado e da crise sobre a covid-19, Lula disse:

"Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises", afirmou o ex-presidente em entrevista à revista Carta Capital, em maio do ano passado. Na época, depois do comentário, Lula admitiu que foi "infeliz" e se desculpou.

As primeiras postagens partiram de Carlos Bolsonaro, seguido imediatamente pelos demais. O disparo foi feito em diferentes redes. Tanto no Twitter, como nos canais da família Telegram.

Já na tarde de ontem, logo após o discurso de Lula, a reação mais breve veio de Flávio, com um pedido para seus apoiadores. Ele postou em seu canal no Telegram uma mensagem de "vamos viralizar" com uma foto de Bolsonaro e a inscrição: "Nossa arma é a vacina".

No final da noite de ontem, foi a vez do deputado Hélio Lopes, amigo do presidente. No canal do Telegram dele, usou um trecho do discurso do petista para dizer que "Lula culpa as igrejas por mortes na pandemia". E, também nesta manhã, se juntou ao grupo para disparo do vídeo antigo de Lula sobre o coronavírus.

A coluna apurou que no entorno do presidente e da família Bolsonaro assessores e políticos estão defendendo cada vez mais uma mudança no discurso, em especial, um apoio enfático às vacinas. Esse novo alinhamento deve incluir, no Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro.