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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Queiroz volta a usar celular e recorre a aplicativos que destroem mensagens

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro - 26.dez.2018 - Reprodução/SBT
Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro Imagem: 26.dez.2018 - Reprodução/SBT
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

13/04/2021 04h00Atualizada em 13/04/2021 07h53

Após obter o fim da prisão domiciliar, o policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), voltou às redes sociais e retomou a comunicação por meio de aplicativos de mensagem no celular. Mas, agora, Queiroz está priorizando apps que permitem a destruição automática de mensagens como o "Signal" e o "Telegram".

Queiroz e sua mulher, Márcia Aguiar, conseguiram no STJ (Superior Tribunal de Justiça), em março, o fim da prisão domiciliar que vigorava desde julho de 2020. O ex-assessor de Flávio foi apontado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) como operador de um esquema de devolução de salário que existia no gabinete do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro. Ele foi preso em Atibaia, na casa de Frederick Wassef, um dos advogados do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em junho do ano passado. Márcia chegou a ficar foragida por mais de um mês após a prisão ser decretada.

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro baixou os novos aplicativos no último sábado (10). A opção por aplicativos com possibilidade de destruição de mensagens automaticamente ocorre também depois que a família de Queiroz foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2019. Na ocasião, foram apreendidos celulares de Márcia e de Nathália Queiroz, filha mais velha do assessor.

A partir da apreensão foram obtidas mensagens trocadas entre a família. Algumas delas chegaram a fazer parte das provas apresentadas para o pedido de prisão de Queiroz e Márcia. Nas mensagens, Márcia reclamava que Queiroz seguia fazendo indicações políticas para cargos e chegou a compará-lo a um bandido "que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo". Os dados dos celulares também mostraram o local onde ele se escondia e por onde passou no período.

No entanto, como o STJ também decidiu anular as quebras de sigilo que tinham sido autorizadas em primeira instância para a investigação do caso, as provas obtidas a partir dos celulares ainda terão sua validade discutida. O MP-RJ recorreu e aguarda decisão do (STF) Supremo Tribunal Federal. Além disso, as principais provas apresentadas na denúncia contra Queiroz e Flávio eram os dados financeiros obtidos pela quebra de sigilo. O casal agora responde a denúncia apresentada pelo MP ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio em liberdade.

Na semana passada, a coluna mostrou que o casal fez um culto de "ação de graças" na noite de quinta-feira (8) na igreja Nova Vida de Curicica, zona oeste do Rio. O próprio Queiroz compartilhou imagens chamando para celebrar a "grande vitória do casal".