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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Denunciado, Queiroz quer ser deputado federal e comenta: "boa ideia"

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

03/06/2021 04h00

O policial Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), faz planos para a eleição de 2022 e anunciou para interlocutores que pretende disputar uma vaga a deputado federal. Ele também aguarda o movimento do presidente Jair Bolsonaro que ainda não escolheu por qual partido vai disputar a reeleição.

Procurado, Queiroz escreveu diretamente à coluna que considera uma "boa ideia". Na mensagem enviada, ele disse: "obrigada por me informar sobre possível candidatura a dep federal (sic), pois nem eu mesmo sabia dessa pretensão. Mas, sabe, você me deu uma boa ideia". É a primeira vez que ele responde diretamente, sem intermédio de sua defesa, a um veículo de imprensa desde a entrevista concedida ao SBT em dezembro de 2018.

Queiroz foi colocado em liberdade pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em março deste ano. Ele e a mulher tiveram a prisão decretada pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, no ano passado, durante as investigações sobre desvio de salários no antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Com isso, Queiroz foi preso na casa de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, em junho do ano passado.

Depois, o ex-assessor e a mulher, Márcia Aguiar, ficaram oito meses em prisão domiciliar. Ele ainda ficou um mês preso em Bangu e ela passou um mês foragida até que a defesa obteve um habeas corpus.

Assim que obteve a liberdade, Queiroz retomou sua rotina de alinhamento com a família Bolsonaro e de postagens favoráveis ao clã nas redes sociais. Ele também tem feito acenos defendendo as mesmas posições do presidente Jair Bolsonaro. No dia em que se vacinou, por exemplo, Queiroz postou "look down já mais" (sic).

Em abril, tentou emplacar uma de suas filhas em uma vaga na Casa Civil do Palácio Guanabara. No entanto, quando a nomeação foi descoberta, a equipe do governador Cláudio Castro voltou atrás e tornou sem efeito a nomeação.

Queiroz, porém, continua circulando e retomando os contatos políticos que possui após ter ajudado a eleger grande parte da bancada federal e estadual do PSL no Rio de Janeiro. Ele foi assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj entre 2007 e outubro de 2018, período em que se investiga o vazamento do relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que abriu o caso da rachadinha no MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Em outubro do ano passado, ele foi denunciado junto com o senador e outras 15 pessoas por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MP apontou um desvio de R$ 6 milhões da Alerj, dos quais mais de R$ 2 milhões passaram pela conta bancária dele e são oriundos de outros ex-assessores de Flávio Bolsonaro.

Queiroz também disse que a coluna publica "matérias sobre mim, e minha família sempre com fontes sem narrativas e com objetivo de denegrir os meus".

A coluna reitera as informações publicadas anteriormente e esclarece que realmente publica reportagens baseadas em fatos e não em narrativas. O objetivo é o interesse público.