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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

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Defesa de ex-assessores de Carlos Bolsonaro critica quebra de sigilo

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) durante evento na Vila Militar de Deodoro, no Rio de Janeiro - Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) durante evento na Vila Militar de Deodoro, no Rio de Janeiro Imagem: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

22/09/2021 14h56

As defesas de ex-assessores do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) avaliam que o período de quebra de sigilo autorizada no TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio) é muito amplo e pretende enfrentar o tema em instâncias superiores. O vereador e outras 26 pessoas tiveram o sigilo bancário e fiscal quebrado em uma investigação que apura a prática de rachadinha, entrega ilegal de salários, e a nomeação de pessoas que não atuavam de fato, os chamados "funcionários fantasmas".

Em alguns casos, assessores tiveram sigilo quebrado a partir de 2005 até o ano de 2020, um total de 16 anos. Há expectativa de esse seja um dos argumentos apresentados em habeas corpus nas próximas semanas. O advogado Antônio Fonseca, que defende Carlos Bolsonaro, tem dito, porém, que só vai explicar as questões nos autos. O advogado Magnum Cardoso, que representa Ana Cristina Valle, segunda mulher do presidente Jair Bolsonaro, não quis se manifestar sobre o assunto.

O advogado Jefferson Gomes que defende o casal Guilherme e Ananda Hudson critica, por exemplo, o fato de que Ananda teve o período de quebra deferido entre 1 de março de 2009 até 2020. Ela, porém, foi assessora de Carlos apenas entre 2009 e 2010.

"É uma ilegalidade flagrante. O ato de investigação tem que ter limite. Qual é a correlação? Como pode ter a vida devassada? 10 anos pra frente ainda? É surreal do ponto de vista técnico. Tem que ser debatido e enfrentado", disse ele. Gomes também afirma que não procede que Guilherme tenha morado em Resende durante todo o período em que foi assessor de Carlos Bolsonaro. Segundo ele, seu cliente morou no Rio de Janeiro em parte dos anos em que foi assessor, mesma época em que cursava Direito.