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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Livre, Queiroz volta a ser cortejado por bolsonaristas e transita pelo PL

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

e Igor Mello

06/12/2021 14h47

O policial Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está retomando publicamente seu papel nos bastidores da política do Rio de Janeiro e cada dia com mais trânsito no PL.

No último fim de semana, Queiroz esteve no aniversário do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ) e posou com diferentes políticos. Na feijoada de aniversário para 1,3 mil pessoas na quadra do Salgueiro, na Tijuca, no meio de diversas autoridades, parlamentares e policiais presentes estava o vice-prefeito do Rio, Nilton Caldeira, (PL-RJ).

Além de Amorim, Queiroz registrou o encontro com o deputado Gustavo Schmidt (PSL-RJ). Amorim já foi candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro que disputou a Prefeitura do Rio em 2016. Ele ficou conhecido por quebrar uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

Queiroz, à vontade, posou no palco com o aniversariante, ainda fazendo sinal de coraçãozinho. Perguntado sobre a presença de Queiroz, Amorim disse que "não faz política com traição ou abandono".

"O Queiroz foi importante na campanha de 2018, bem como na de 2016, quando fui vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Jamais vou tratá-lo com ingratidão, haja o que houver. Se o Ministério Público considera que ele deve alguma explicação à Justiça, que seja feito na forma da lei. Mas não se deixa um soldado para trás", afirmou o deputado que também vai se filiar no PL.

Queiroz faz planos para a eleição de 2022 e anunciou para interlocutores que pretende disputar uma vaga a deputado federal. Ele também aguardava o movimento do presidente Jair Bolsonaro pela escolha do partido e esteve em Brasília na semana passada, no dia em que o presidente se filiou ao PL.

Há poucos dias, Queiroz declarou em entrevista ao SBT que sonha em voltar a ser "amigo do presidente Jair Bolsonaro". Segundo ele, os dois não se falam desde que as investigações sobre o papel dele como operador do esquema de entrega de salários no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj passou a ser investigado pelo MP-RJ. Desde que deixou a prisão domiciliar, ele voltou a participar de manifestações em defesa de Bolsonaro e também passou a postar nas redes sociais atacando adversários do presidente.

A "reestreia" de Queiroz em eventos bolsonaristas foi na manifestação de 7 de setembro, onde foi exaltado por políticos e militantes presentes na praia de Copacabana.

Outro a posar com Queiroz na festa foi o sargento da PM Luiz Carlos Chagas de Souza Júnior. Conhecido como Chagas Bola, ele concorreu a vereador pelo PSL em 2020, recebendo uma das maiores fatias de fundo partidário entre todos os candidatos no estado do Rio. Próximo de Flávio Bolsonaro, ele foi nomeado em dezembro de 2020 para um cargo de coordenação na Secretaria Estadual de Governo pelo governador Cláudio Castro (PL), também aliado de Flávio. Chagas Bola acompanhou Queiroz à manifestação de 7 de setembro em Copacabana.

Fim da prisão domiciliar

Queiroz foi colocado em liberdade pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em março deste ano. Ele e a mulher tiveram a prisão decretada pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, no ano passado, durante as investigações sobre desvio de salários no antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Com isso, Queiroz foi preso na casa de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, em junho do ano passado.

Depois, o ex-assessor e a mulher, Márcia Aguiar, ficaram oito meses em prisão domiciliar. Ele ainda ficou um mês preso em Bangu e ela passou um mês foragida até que a defesa obteve um habeas corpus.

Assim que obteve a liberdade, Queiroz retomou sua rotina de alinhamento com a família Bolsonaro e de postagens favoráveis ao clã nas redes sociais. Ele também tem feito acenos defendendo as mesmas posições do presidente Jair Bolsonaro.

Em abril, tentou emplacar uma de suas filhas em uma vaga na Casa Civil do Palácio Guanabara. No entanto, quando a nomeação foi descoberta, a equipe do governador Cláudio Castro voltou atrás e tornou sem efeito a nomeação.

Queiroz, porém, continua circulando e retomando os contatos políticos. Nas últimas semanas, Queiroz intensificou a atividade política por meio de seus perfis nas redes sociais.

Ele vem atacando adversários do presidente Jair Bolsonaro, como o governador de São Paulo João Doria, pré-candidato do PSDB à Presidência, o ex-juiz Sérgio Moro, também presidenciável, e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), pré-candidato ao governo do Rio. Também publicou um vídeo do ideólogo Olavo de Carvalho acusando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas, de corrupção.

Além disso, vem exaltando o amigo do Palácio do Planalto. Queiroz compartilhou o discurso de filiação de Bolsonaro ao PL e reproduzido um discurso alinhado ao do presidente em relação à pandemia de covid-19.

R$ 2 milhões na conta

Ele foi assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj entre 2007 e outubro de 2018, período em que se investiga o vazamento do relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que abriu o caso da rachadinha no MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Em outubro do ano passado, ele foi denunciado junto com o senador e outras 15 pessoas por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MP apontou um desvio de R$ 6 milhões da Alerj, dos quais mais de R$ 2 milhões passaram pela conta bancária dele e são oriundos de outros ex-assessores de Flávio Bolsonaro.