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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

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Castro diz que não critica Lula e aliados de Bolsonaro cobram fidelidade

O presidente Jair Bolsonaro posa para foto com o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro - Reprodução/ Twitter
O presidente Jair Bolsonaro posa para foto com o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro Imagem: Reprodução/ Twitter
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

16/05/2022 18h35

Depois que o governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), disse que é "apoiador" de Jair Bolsonaro, mas que "não vai criticar Lula", alguns dos principais interlocutores do presidente criticaram, internamente, a declaração do mandatário fluminense. Segundo o que foi relatado à coluna, as reclamações ocorreram sobretudo em grupos de mensagens.

Na visão dos mais próximos a Bolsonaro, não há espaço para concessões. É preciso que os que se apresentam como aliados do presidente e, desejam seu apoio durante a eleição, o defendam e estejam com ele incondicionalmente. No bolsonarismo, a disputa de 2022 é vista como uma espécie de guerra. O próprio presidente disse, em um evento do PL em março, que a corrida eleitoral era como uma "luta do bem contra o mal".

Na avaliação de alguns interlocutores, Castro precisará se esforçar nos próximos dias para amenizar a situação criada a partir da declaração.

No entanto, há algum tempo o governador convive com dificuldade com a proximidade que sua imagem tem do presidente. No ano passado, ele vinha sendo aconselhado por auxiliares no governo fluminense a descolar sua imagem em relação ao presidente. Só que com a chegada de Bolsonaro ao PL essa situação se tornou mais complexa.

Os conselheiros do governador estão atentos aos números das pesquisas que mostram a reprovação do presidente junto à população e temem os reflexos disso até a eleição de 2022. No Datafolha de março, a reprovação foi a 46%. Esse número já foi 53% no ano passado. Um interlocutor contou à coluna que a ideia era fazer um distanciamento gradual e tentar atrair eleitores do centro que não estão contentes com o bolsonarismo.

No entanto, com a chegada de Bolsonaro ao partido, a sensação é de que o governador terá obrigação de fazer campanha pela reeleição do presidente. Há também uma avaliação de integrantes do PL de que uma tentativa de Castro de descolar a imagem de Bolsonaro pode ser mal vista pelo eleitor bolsonarista que poderia migrar para outro candidato da centro-direita. O governador correria o risco de perder o eleitor que vota em Bolsonaro sem conseguir atingir outros do centro e da esquerda.