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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Em vitória de Nunes Marques, Bolsonaro escolhe novos ministros do STJ

Ministro Kassio Nunes Marques, do STF - Carlos Moura/SCO/STF
Ministro Kassio Nunes Marques, do STF Imagem: Carlos Moura/SCO/STF
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

01/08/2022 07h28

O Diário Oficial desta segunda-feira (1º) foi publicado com os nomes dos dois novos ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ): Messod Azulay Neto, do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), e o desembargador Paulo Sérgio Domingues, do TRF-3. Eles vão agora para aprovação do Senado Federal.

Domingues representa uma surpresa e ficou com a vaga que era dada como certa para o desembargador Ney Bello, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). A indicação do desembargador do TRF-3 representa uma vitória do ministro Nunes Marques, do STF (Superior Tribunal Federal) junto ao governo.

Messod Azulay Neto é o atual presidente do TRF-2. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, chegou ao TRF-2 em 2005. Paulo Sérgio Domingues é formado pela Universidade de São Paulo e se tornou desembargador do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) em 2014. Domingues teve apoio do ministro Dias Toffoli, do STF, para obter a vaga do STJ.

A reviravolta que retirou o nome de Ney Bello, favorito até dias atrás, ocorreu devido a um veto do ministro ao nome do antigo colega de TRF-1. Interlocutores do presidente contaram à coluna no domingo (31) que Nunes Marques disse que poderia romper com o governo se Ney Bello fosse indicado. Procurado, o ministro do STF disse à coluna que não fez pressão alguma.

Ney Bello perdeu a vaga mesmo com o apoio do ministro Gilmar Mendes, do STF, para a indicação. Ele ainda tinha sinal positivo de vários interlocutores do presidente. Entre eles, o advogado Frederick Wassef, que representa a família Bolsonaro em diferentes casos. A coluna apurou que a escolha de Bolsonaro deixou o advogado bastante irritado, já que ele defendia o nome de Ney Bello.

A crise começou ainda na quinta-feira (28) quando aliados do presidente informaram Nunes Marques que Bolsonaro faria as indicações. Desde então, o ministro deixou claro que era contrário. A coluna apurou que vários interlocutores do presidente tentaram convencer Nunes Marques nos últimos dias a aceitar a nomeação do ex-colega do TRF-1. No entanto, o ministro do STF se mostrou irredutível no veto.

As diferenças entre Nunes Marques e Ney Bello teriam começado em 2020, na época da indicação do ministro ao STF. Depois disso, os dois nunca mais tiveram proximidade.