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Surpreende, mas conforta saber que até Michelle Obama anda meio deprimida

A ex-primeira-dama dos EUA, Michelle Obama - Scott Olson/Getty Images/AFP
A ex-primeira-dama dos EUA, Michelle Obama Imagem: Scott Olson/Getty Images/AFP
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

06/08/2020 16h42

Michelle Obama está com uma "pequena depressão".

Articulada, inteligente e com popularidade altíssima na opinião pública, Michelle é um símbolo do empoderamento feminino nos Estados Unidos. Na Casa Branca, foi muito além do figurino de primeira-dama que sabe receber e ficar na retaguarda do presidente. Foi uma companheira de Barack Obama que teve influência em áreas importantes do governo americano.

O lindo casal Obama traduz a mais perfeita ideia de parceria, aquela que nasce do amor romântico e se transforma na relação essencial de uma vida inteira.

Como Michelle transmite uma imagem de força, a imprensa americana se surpreendeu com a declaração de que ela está com uma "depressão de baixo grau". No podcast que divulgou nesta quarta-feira, ela cita as razões do seu estado mental. Fala do racismo que atormenta os Estados Unidos desde a sua fundação. Relata que é duro ver no noticiário como o governo Trump responde à pandemia.

Michelle conta que é "cansativo" acordar e saber de mais uma história de desumanização de um homem negro "ferido ou morto" ou "sendo falsamente acusado de algo". Com tristeza na voz, desabafa: "Isso gerou um peso que não sentia em minha vida fazia um tempo".

Vamos combinar que esse combo (racismo estrutural + pandemia) nas mãos de Donald Trump é mais ou menos parecido com o coquetel Bolsonaro + genocídio com retrocesso geral no Brasil. Tira o sono e o ânimo de qualquer um. Deprime mesmo.

Para segurar a barra, Michelle diz que tenta manter uma rotina regular de exercícios e contatos com amigos e familiares. Receita simples, como lavar as mãos com frequência, usar máscara e manter distanciamento social para evitar o coronavírus.

Além da surpresa, conforta um pouco saber que até Michelle Obama anda meio deprimida. Gente como a gente, ela ajuda ao falar abertamente sobre uma doença que ainda é tratada como um tabu. Qualquer um pode ficar deprimido.

Seguindo o conselho de Michelle, melhor pegar a bicicleta e dar uma volta na trilha de Mount Vernon, pela Virgínia, ouvindo "Folklore", o novo álbum da Taylor Swift, que está com uma pegada meio pandêmica de quem parece que também andou sofrendo as dores do viver.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.