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Jogada eleitoral de Trump anti-TikTok ajuda Microsoft contra concorrentes

TikTok faz ação coordenada com a OMS - Reprodução
TikTok faz ação coordenada com a OMS Imagem: Reprodução
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

03/08/2020 14h59

O presidente Donald Trump não cumpriu a ameaça de banir o TikTok no último sábado, como prometeu na sexta. Ele mudou nesta segunda a estratégia em relação ao aplicativo chinês de vídeos curtos que virou febre na pandemia, especialmente entre jovens americanos.

Trump deu prazo até 15 de setembro para que uma empresa americana compre o TikTok ou banirá a rede, usando poderes que a legislação pós-11 de Setembro lhe dá. A manobra serve aos interesses da Microsoft, companhia americana que não tem uma rede social forte e popular como Google e Facebook.

O TikTok é propriedade da ByteDance, empresa chinesa que tem capital americano entre seus investidores. O movimento de Trump deverá forçar a venda do aplicativo para a Microsoft.

A desculpa de Trump é que o TikTok transmitiria informações do público americano para a China. Ou seja, ameaça de espionagem. Há uma lei chinesa que obriga as empresas do país a colaborar com seus serviços de inteligência.

A ameaça do presidente à rede social deve ser entendida no contexto da eleição americana, apesar de também fazer parte do enredo de embates da nova Guerra Fria entre Washington e Pequim. Ironicamente, banir aplicativo e restringir a internet são práticas típicas do autoritarismo chinês.

No começo da pandemia de coronavírus, Trump fazia elogios ao presidente Xi Jiping e à forma como a China combatia a covid-19. Com o fracasso de sua resposta à crise sanitária nos EUA, ele mudou o discurso e passou a chamar o coronavírus de "vírus chinês".

Trump busca um bode expiatório para sua incompetência ao lidar com o coronavírus. Dois terços dos americanos desaprovam a forma como ele responde à covid-19, segundo pesquisas.

A exatos três meses das eleições, Trump está atrás do democrata Joe Biden nas pesquisas sobre o voto nacional e nos estados fundamentais para vencer no Colégio Eleitoral.

Daí atirar no TikTok, nos médicos da Casa Branca e no voto via correio para ver se acerta em alguma coisa que reverta a sua desvantagem. Mas não nada está fácil para o republicano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.