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Biden escolhe Kamala Harris para vice; opção estimulará voto jovem e negro

Kamala Harris - Reprodução/Instagram
Kamala Harris Imagem: Reprodução/Instagram
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

11/08/2020 17h20

Ao escolher a senadora Kamala Harris para ser a candidata a vice-presidente em sua chapa, Joe Biden busca incentivar mais eleitores negros e jovens a votar nas eleições de 3 de novembro.

Biden fez o anúncio em sua conta no Twitter às 17h16 no horário de Brasília. "Tenho a grande honra de anunciar que escolhi Kamala Harris", disse, descrevendo a senadora da Califórnia como uma "lutadora".

Nos EUA, o voto é facultativo. Estimular a sua base de eleitores a votar é fundamental para conquistar a Casa Branca. Em 2016, a abstenção de eleitores democratas contribuiu para a derrota de Hillary Clinton.

Os protestos contra o racismo estrutural e a violência policial em junho reforçaram o lobby democrata a favor de uma mulher negra para companheira de chapa de Biden. Com Harris na vice, Biden responde aos anseios por mudanças do eleitorado negro, que tem sido fiel aos democratas nas últimas eleições.

Kamala Harris, 55 anos, é uma progressista, um ativo junto ao eleitorado mais jovem. Ela é filha de imigrantes (mãe indiana e pai jamaicano). A escolha de Biden mostra sintonia com anseios por transformações de diversos setores da sociedade americana.

Quando foi procuradora-geral da Califórnia, ela também jogou duro contra o crime, histórico que agrada a eleitores mais conservadores. Biden lembrou que Harris trabalhou com seu filho Beau, que morreu em 2015 devido a um câncer no cérebro. Beau foi procurador-geral do estado de Delaware na época em que Harris ocupava função equivalente na Califórnia.

Kamala Harris sempre apareceu como a mais cotada num grupo de quatro mulheres que liderava as apostas da imprensa americana nos últimos dias. A ordem dos oradores na convenção democrata da semana que vem já sugeria a possibilidade de Harris ser a escolhida.

A senadora ensaiou entrar na disputa presidencial de 2020. Num debate em 2019, ela criticou Biden, afirmando que ele fez aliança com segregacionistas em sua longa carreira no Senado. Nesse debate, ela tirou do armário uma antiga oposição de Biden à política pública de ônibus escolares, dizendo que ela foi uma menina que dependia desse tipo de transporte para ir para as aulas.

Mas Harris desistiu no ano passado e passou a apoiar Biden na corrida interna democrata.

Recentemente, Biden declarou que não guardava ressentimentos e que a rusga com Harris fazia parte do debate interno no partido. Ele prova agora a sua sinceridade ao optar por ela.

A chapa Biden-Harris lembra a dupla Obama-Biden que venceu as eleições presidenciais de 2008 e 2012. Biden havia dito que a diversidade dos EUA estaria representada em seu governo. Ter uma mulher negra como companheira de chapa transmite perfeitamente essa mensagem.

Com a escolha, começará um tiroteio do presidente Donald Trump e aliados. Machista, Trump disse que os homens não gostariam de que Biden optasse por uma mulher para vice.

As pesquisas mostram que Biden tem mais apoio no eleitorado feminino do que Trump. Segundo uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac, feita na primeira quinzena de julho, Biden tem a preferência de 52% das mulheres contra 37% de Trump. No eleitorado masculino, ambos apareceram empatados com 44% cada um. Com Harris, Biden deve reforçar a preferência entre as eleitoras.

A experiência de Harris também é um fator que Biden levou em conta. Ele disse que desejava ter uma companheira de chapa pronta para assumir o governo desde o primeiro dia. Decidida e articulada, ela seria uma vice preparada para governar na eventual ausência do titular. Ela é a terceira mulher a disputar a vice-presidência dos EUA. É também a primeira afro-americana a concorrer ao cargo.

No Twitter, Harris escreveu: "Joe Biden pode unificar o povo americano porque ele passou a sua vida inteira lutando por nós. (...) Estou honrada por me unir a ele como candidata a vice-presidente do partido e farei tudo o que for necessário para que ele seja o nosso comandante-em-chefe.

Se eleito, Biden assumirá a Presidência aos 78 anos e será a pessoa mais velha a chegar ao poder na História dos EUA. As pesquisas apontam favoritismo do democrata, que acerta ao escolher uma mulher para vice.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.