PUBLICIDADE
Topo

Biden acerta ao ter uma mulher na vice; imprensa aponta 4 mais cotadas

Kamala Harris - Reprodução/Instagram
Kamala Harris Imagem: Reprodução/Instagram
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

10/08/2020 13h30

Tradicionalmente, o candidato a vice-presidente deve ter uma característica complementar ao cabeça de chapa que seja útil eleitoralmente. É uma escolha que tem de ir além da afinidade pessoal, apesar de esse critério ser bem importante. Por exemplo, o empresário José Alencar foi um vice que ajudou o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva a quebrar resistências ao PT entre setores conservadores na eleição presidencial brasileira de 2002.

Lula e Alencar ficaram amigos. Barack Obama e Joe Biden também.

Em 2020, nos Estados Unidos, Biden tomará uma decisão sobre a vice levando em conta diversos fatores. O anúncio ocorrerá em breve. A Convenção Nacional Democrata, que oficializará a candidatura de Biden à Casa Branca, começará na próxima segunda-feira, em Milwaukee, Wisconsin.

Nos EUA, é importante ter um vice que ajude a conquistar votos nos estados decisivos para formar maioria no Colégio Eleitoral. Mas outros critérios estão sendo analisados. Biden, que terá 78 anos ao tomar posse se for eleito, pode ser um presidente de transição, cumprindo um mandato só.

Biden afirmou que escolherá uma mulher e que deseja alguém que esteja apta a governar desde o primeiro dia. Assim, procura tranquilizar eleitores preocupados com sua idade e sua capacidade cognitiva, que tem sido questionada pelo presidente Donald Trump. Se eleito, Biden será o presidente mais velho a tomar posse na história dos EUA.

Com os protestos contra o racismo estrutural e a violência policial que marcaram o país em junho, há um lobby para que Biden escolha uma mulher negra. Seria uma sinalização importante do ponto de vista político, mas teria pouco efeito eleitoral, porque a grande maioria do eleitorado negro votará em Biden.

Uma comissão de auxiliares fez uma filtragem entre as possíveis candidatas a vice. A imprensa americana tem destacado quatro delas como as mais cotadas: Kamala Haris, Susan Rice, Karen Bass e Gretchen Whitmer.

Kamala Harris, 55 anos, é senadora pela Califórnia. Foi procuradora-geral do estado. É apontada como a favorita, mas recentemente foi queimada por auxiliares de Biden, que lembraram de críticas que ela fez a ele durante um debate do Partido Democrata no ano passado. A senadora tentou concorrer à Presidência, mas desistiu.

Harris afirmou que, quando senador, Biden fez alianças com dois segregacionistas e que se opôs a um programa de ônibus escolares. Ela disse que era uma criança que pegava ônibus para ir à escola. Recentemente, Biden falou que a crítica foi algo natural num debate, que não guardava "ressentimentos" e que Harris estava bem cotada na corrida interna pela vice-presidência.

Susan Rice, 55 anos, é uma diplomata que foi conselheira de Segurança Nacional no segundo mandato de Barack Obama. Foi embaixadora nas Nações Unidos no primeiro mandato de Obama. Ela trabalhou com Biden em assuntos internacionais. Rice é retratada como uma vice pronta para assumir a Presidência.

Karen Bass, 66 anos, é uma deputada federal da Califórnia que presidiu a frente negra no Congresso. É o nome que mais simbolizaria a importância que Biden dá aos protestos contra o racismo estrutural e a violência policial.

Gretchen Whitmer, 48 anos, é governadora do estado de Michigan. Sua gestão da crise sanitária é considerada um caso de sucesso entre os estados americanos. Na semana passada, ela se encontrou com Biden. O vazamento dessa informação foi visto como uma forma de medir a repercussão negativa ou positiva. Ela é a única branca entre as quatro mulheres que são apresentadas pela imprensa como as mais cotadas.

Em 2016, Trump teve vitória apertadíssima contra Hillary Clinton no Michigan, estado com 16 votos no Colégio Eleitoral. As pesquisas indicam vantagem de Biden sobre Trump no Michigan, mas a eventual escolha de Whitmer iria além do reforço da chance de vencer no estado. Haveria impacto positivo em outros estados do conservador meio-oeste americano.

A escolha de Kamala Harris ou de Karen Bass teria pouco efeito para ajudar Biden a formar maioria no Colégio Eleitoral. O democrata deve vencer com folga na Califórnia, que tem o maior número de delegados no Colégio Eleitoral (55 dos 538).

Há outras candidatas sob avaliação. Mas será uma surpresa se for escolhido um nome fora desse grupo de quatro mulheres. Biden tem mais votos no eleitorado feminino do que o presidente Donald Trump. Ter uma vice é uma decisão acertada eleitoralmente..

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.