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Kennedy Alencar

Trump perdoa ladrão e naturaliza 5 imigrantes; Melania diz que ele ama EUA

Primeira-dama Melania Trump na Casa Branca -
Primeira-dama Melania Trump na Casa Branca
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

26/08/2020 00h12

No segundo dia da Convenção Nacional Republicana, houve quebra de protocolo e decisões inéditas de um presidente. A menção à pandemia de coronavírus que já matou mais de 178 mil americanos foi tema do discurso da primeira-dama, Melania Trump.

Donald Trump perdoou um ladrão de bancos, Jon Ponder, negro que um criou um programa de reinserção social de presos. Foi um ato meritório, mas feito numa convenção partidária por propaganda política e interesse do republicano em se reeleger. O ato de campanha em plena Casa Branca serve à falsa argumentação de Trump de que seria o presidente que mais fez pelos negros desde Abraham Lincoln, que acabou com a escravidão no país.

Também na Casa Branca, houve cerimônia de naturalização de cinco candidatos à cidadania americana, que juraram lealdade à bandeira dos Estados Unidos (EUA). Foi uma tentativa de vender Trump como um presidente que não é contra os imigrantes, apesar de a construção do muro na fronteira entre o México e os EUA ser uma das principais promessas do republicano, que não foi cumprida porque o Congresso resistiu.

"Parabéns. É fantástico", disse Trump, que tem sido hostil aos imigrantes. "Sigam as regras, obedeçam às leis...", afirmou o presidente. "Quero agora reconhecer os cinco cidadãos."

Melania Trump leu seu discurso com olhos arregalados e certo desconforto, num contraste com a descontração das falas de Jill Biden e Michelle Obama na Convenção Nacional Democrata na semana passada. Ela falou no jardim da Casa Branca, numa cerimônia com os presentes sem máscara e sem distanciamento social.

Até o discurso de Melania, a covid-19 foi um tema ausente da segunda noite do encontro republicano, que acontece ainda até quinta-feira. Ela fez menção rápida ao "ao inimigo invisível", repetindo expressão do marido sobre o coronavírus. Disse que Trump "não descansará" até encontrar a cura para a doença.

Biden é colocado como ameaça ao "sonho americano"

Melania lamentou ainda a dor das famílias que perderam parentes na pandemia. Ela foi a primeira oradora da Convenção Nacional Republicana a expressar empatia com os que sofrem com o coronavírus.

Mas a primeira-dama também cumpriu o roteiro político que interessava ao presidente. Afirmou que Trump "ama" os EUA. "Ele é o melhor para o nosso país. (...) Uma pessoa autêntica." Ela fez crítica à forma como a imprensa e os democratas retratam seu marido. Ao final do discurso, os dois se beijaram no rosto.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, discursou de Jerusalém a favor do republicano, quebrando o protocolo diplomático. É inadequado o uso de diplomatas para fazer política de governo e não de Estado. Pompeo culpou a China pela pandemia e pelo desemprego nos EUA. Segundo Pompeo, Trump fortaleceu o país no mundo, quando ocorreu o contrário. O fato é que o país se isolou internacionalmente.

Toda a lógica do encontro republicano foi vender que um governo do democrata Joe Biden acabaria com o sonho americano de empreender individualmente com sucesso e colocaria as famílias em risco por ceder a uma suposta agenda da esquerda radical, que resultaria em aumento de impostos e da violência nas grandes cidades e nos idílicos subúrbios do país.

Discurso contra o aborto

O discurso religioso conservador foi uma tônica da noite. Cissie Graham Lynch, neta do famoso reverendo Billy Graham, e a pastora Norma Urrabazo se encarregaram de dar a mensagem em favor da família e das "pequenas garotas" que precisam ser protegidas.

Ativista contra o aborto, Abby Johnson teve destaque. "Eu sei o que é o aborto, eu sei como ele cheira", afirmou Johnson. Segundo ela, a eleição é uma escolha entre quem defenderia a vida, Trump, e a morte, Biden.

A noite republicana chegou ao ponto de afirmar que haveria uma campanha de bullying, com apoio da imprensa, contra o movimento MAGA (Make America Great Again, Faça a América Grandiosa Novamente, em inglês). MAGA é um bordão encravado nos bonés de apoio a Trump.

O que existe é uma crítica ao slogan MAGA, porque Trump teria isolado os EUA internacionalmente e enfraquecido o poder geopolítico do país, entrando em conflito com aliados como França e Alemanha.

Em mais uma noite com maioria de oradores brancos, o encontro republicano criticou Biden dura e pessoalmente. Pam Bondi, ex-procuradora-geral do estado da Flórida, atacou Hunter Biden, filho do candidato democrata. Hunter ocupou cargo numa empresa ucraniana, a Burisma. Foi acusado de fazer lobby usando o prestígio do pai. Biden e o filho negaram as acusações, que nunca foram provadas.

Com foco na economia que seria reconstruída, o vice-presidente Mike Pence fez um discurso enfadonho da casa de infância de Abraham Lincoln, presidente republicano com quem Trump tenta se equiparar, contrariando tudo o que conta a História.