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Kennedy Alencar

Biden tem chance real de ganhar de lavada de Trump

Biden acusa Trump de render-se diante da covid-19 a poucos dias das eleições - Getty Images
Biden acusa Trump de render-se diante da covid-19 a poucos dias das eleições Imagem: Getty Images
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

26/10/2020 11h49

O democrata Joe Biden deverá ganhar a eleição presidencial americana. E há chance de uma vitória de lavada sobre o presidente Donald Trump.

Nesse cenário, diminuiria muito a possibilidade de Trump tentar invalidar votos pelo correio a fim de ganhar a eleição no tapetão. Se o republicano surpreender e perder por margem apertada, poderá haver alguma turbulência.

Mas a vantagem que Biden tem nas pesquisas a 8 dias das eleições de 3 de novembro dá ao democrata muito mais confiança na vitória do que numa improvável virada de Trump.

Nesta mesma fase da eleição há quatro anos, a vantagem de Hillary Clinton sobre Trump era menor: 4 pontos percentuais. A média das pesquisas dava 46% para a democrata e 42% para Trump.

Ela venceu no voto popular, mas as vitórias surpreendentes do republicano em alguns estados decisivos no Colégio Eleitoral decidiram a parada no Colégio Eleitoral, que tem 538 delegados. Trump teve 306 votos contra 232 na eleição indireta.

A situação em 2020 é diferente de 2016. O democrata tem entre 9 e 10 pontos de dianteira no voto nacional nas diferentes médias das pesquisas feitas por veículos de comunicação e sites especializados na cobertura desses levantamentos.

E naqueles estados considerados decisivos no Colégio Eleitoral nos quais Trump venceu Hillary por margem apertada e levou todos os delegados?

Em três deles, Biden lidera com folgas que vão de 6 a 8 pontos percentuais de dianteira. Na média calculada pela rede de TV CNN, Biden tem diante de 8 pontos percentuais no Michigan, com 16 delegados no Colégio Eleitoral. Possui 7 pontos percentuais no Wisconsin (10 delegados). E tem 6 pontos percentuais na Pensilvânia (20 delegados).

O democrata também se revelado competitivo num grupo de estados que deveria ser mamão doce para Trump: Flórida, Iowa, Carolina do Norte, Geórgia, Arizona e até o Texas.

A imprensa americana trata com cuidado as previsões sobre o resultado porque quebrou a cara em 2016. Mas só um milagre manterá Trump na Casa Branca. Há uma série de fatores que permite tratar a eleição de Biden como provável.

O voto feminino está majoritariamente com o democrata. Os eleitores negros também. Biden perde por margem menor no segmento de homens brancos sem diploma universitário. O Partido Democrata está unido desta vez e mobilizou a sua base para ir às urnas. Isso é fundamental num país no qual o voto é facultativo. Tem uma pandemia no meio do caminho. Eleitores mais velhos que rejeitaram Hillary, sobretudo moderados brancos, veem a covid-19 se agravar no país. E há certa exaustão com esse estilo agressivo, incompetente, irresponsável e divisionista de Trump.

A chance de Biden ganhar de lavada é real e faria um bem danado aos EUA e ao planeta devido ao seu caráter civilizatório.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.