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Kennedy Alencar

Pazuello sabe que há demanda, mas não tem é plano para vacinar brasileiros

                                 Eduardo Pazuello disse que o ministério da Saúde vai distribuir as vacinas contra a convid-19 quando a Anvisa aprovar,                              -                                 DIVULGAçãO
Eduardo Pazuello disse que o ministério da Saúde vai distribuir as vacinas contra a convid-19 quando a Anvisa aprovar, Imagem: DIVULGAçãO
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

09/12/2020 08h40

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sabe que há demanda para uma vacinação em escala nacional no Brasil. Mas ele também sabe que o governo não se preparou para imunizar as pessoas.

É isso o que explica a absurda declaração de que haverá vacina, "se houver demanda", e a insistência num prazo de 60 dias para que a Anvisa aprove eventuais vacinas que sejam seguras e eficazes contra a covid-19. Já há aprovações acontecendo em diversos países. É óbvio que o processo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária pode ser abreviado. O ministro sabe disso.

No Brasil de Bolsonaro e Pazuello, sobra cloroquina. Em relação ao medicamento que nunca se mostrou eficiente em relação ao coronavírus, houve uma preparação de guerra para aumentar a produção da droga.

No Brasil do governo negacionista, faltam seringas e agulhas para implementar uma campanha nacional de vacinação. O negacionismo científico do presidente Jair Bolsonaro deixou o Brasil despreparado na corrida mundial pela vacina. Pazuello, que se comporta como um capacho do presidente negligentemente homicida, é um ministro inadequado para a função. Está lá justamente por isso.

Talvez seja mais fácil Bolsonaro reconhecer a vitória de Joe Biden nos Estados Unidos do que aceitar que uma vacina funcione contra o coronavírus. O presidente brasileiro conseguiu ser pior do que o colega Donald Trump nesse quesito. O americano lançou um plano para acelerar a vacina e fez compras antecipadas de lotes dos imunizantes antes da conclusão dos testes científicos.

Bolsonaro x Doria

No Brasil, fala-se na guerra da vacina entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria. Há uma falsa equivalência nesse duelo, dizendo que os dois politizam um tema delicado de saúde pública.

Um politiza de forma errada. Outro politiza acertadamente. Cobrar de um político que não faça política é mais um ato de hipocrisia do jornalismo "equilibrado". Em relação à vacina, Bolsonaro está errado. Doria está certo.

O Brasil tem cerca de 210 milhões de habitantes. O mundo, 7,8 bilhões. Com um presidente que joga contra a vacinação em massa, não é difícil imaginar em qual lugar da fila os brasileiros ficarão com um genocida no poder. Mais brasileiros adoeceram, adoecem, adoecerão, morreram, morrem e morrerão devido à falta de um plano nacional contra a covid-19. Bolsonaro é o maior culpado por isso.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no último parágrafo, estima-se que a população mundial seja de 7,8 bilhões de pessoas, e não de 6 bilhões. O texto foi corrigido.