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Kennedy Alencar

Bolsonaro ganha fôlego contra impeachment, mas Centrão é o grande vitorioso

Bolsonaro cumprimenta Arthur Lira - Reprodução/Twitter
Bolsonaro cumprimenta Arthur Lira Imagem: Reprodução/Twitter
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

01/02/2021 23h25

No curto prazo, os resultados das eleições para os comandos da Câmara e do Senado são bons para o presidente Jair Bolsonaro. O efeito imediato é tornar mais distante um eventual impeachment e enfraquecer adversários no campo político que vai da centro-direita à extrema-direita.

Na Câmara, Arthur Lira (PP-AL) venceu no primeiro turno com 302 votos. Baleia Rossi (MDB-SP) teve apenas 145 votos, o que revela um alto grau de traição de legendas como DEM, PSL e PSDB. No Senado, Rodrigo Pacheco ganhou fácil de Simone Tebet (MDB-MS) _placar de 57 a 21.

As alianças de Bolsonaro com Arthur Lira e Rodrigo Pacheco ocorreram porque Bolsonaro se enfraqueceu em dois anos de poder. Ele precisou compor com o Congresso para se segurar no Palácio do Planalto. Nesse contexto, o maior vitorioso não é Bolsonaro, mas o Centrão.

Lira e Pacheco, com estilos pessoais diferentes, representam a nata conservadorismo que domina o Legislativo brasileiro.

Entre os perdedores, destaca-se Rodrigo Maia, que deixa a Presidência da Câmara carimbado por uma derrota no próprio partido, o DEM. Maia não conseguiu unir a sua legenda para apoiar Baleia Rossi, candidato que tirou do bolso do colete. Perderam também o MDB de Rossi e a oposição, que tentaram barrar um candidato apoiado por Bolsonaro.

Outro derrotado é o governador de São Paulo, João Doria. Na reta final das articulações, um titubeio tucano favoreceu Lira, enfraquecendo Baleia. O ex-senador e ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG), que está no ostracismo político, conseguiu persuadir tucanos a trair Baleia, que tinha o aval de Doria.

Derrotar Bolsonaro na Câmara daria ao governador paulista mais uma vitória política contra o presidente. Doria ganhou recentemente a batalha da vacinação. O tucano ficou do lado certo da história ao combater o negacionismo científico do governo federal.

No entanto, com Lira na Câmara e Pacheco no Senado, Bolsonaro passa a imagem de que poderá ter apoio de partidos conservadores em 2022. Em 2018, deu certo concorrer como um aventureiro. Com um governo real e ruim a defender numa eleição, disputar com chance em 2022 dependerá de alianças políticas que Bolsonaro esnobou quando estava forte.

As eleições no Congresso mostraram que a disputa no campo que vai da centro-direita à extrema-direita será dura. Bolsonaro tem chance de evitar que Doria ou um aventureiro com Luciano Huck cheguem ao segundo turno contra um candidato do campo de centro-esquerda e esquerda.

A política genocida na pandemia e a incapacidade administrativa deverão fazer de Bolsonaro um candidato mais fraco em 2022 do que foi em 2018, mas ele não deve ser subestimado.