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Kennedy Alencar

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bolsonaro mente de novo em evento internacional e promete o que não entrega

Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

22/04/2021 11h20

A exemplo do que fez na ONU em setembro passado, o presidente Jair Bolsonaro voltou a mentir num palco internacional, como dizer hoje no primeiro dia da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, que determinou "o fortalecimento dos órgãos ambientais". Ele também fez promessas que não serão levadas a sério diante do histórico de destruição do Meio Ambiente patrocinado por seu governo.

Trocando em miúdos, as verdades ditas por Bolsonaro, como lembrar avanços do Brasil na preservação ambiental "nos últimos 15 anos" e mencionar o programa de biocombustíveis, são méritos de governos anteriores (administrações petistas, basicamente). As mentiras, como afirmar que o governo está na "vanguarda global" da proteção ao Meio Ambiente quando o desmatamento da Amazônia bate recordes, são obras de Bolsonaro.

Isolado no mundo e sinal de sua falta de prestígio, Bolsonaro ficou no fim da fila na ordem dos discursos dos presidentes no encontro patrocinado pelo colega americano, Joe Biden. A fala defensiva e mentirosa foi um recibo de que ele sentiu o peso do isolamento internacional construído por um governo de destruição da política externa, do meio ambiente, da saúde pública, dos direitos humanos e por aí vai.

Como levar a sério a promessa de Bolsonaro de que se empenhará para acabar com o desmatamento até 2030 se ele e o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) fazem exatamente o contrário?

Bolsonaro e Salles destruíram as áreas de fiscalização do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais). O ministro do Meio Ambiente prometeu passar a boiada faz um ano e não aconteceu nada para impedir a meta de destruição ambiental assumida numa reunião ministerial.

Como sempre acontece, haverá análises de que Bolsonaro mudou o tom, suavizou, pode mudar de rumo, talvez haja um ponto de inflexão porque prometeu aqui e acolá, talvez possa mudar agora que a pressão aumentou etc. Já se viu o que ele fez na pandemia, não?

Não só o Brasil, mas o mundo inteiro está careca de saber que Bolsonaro é pura conversa fiada. Ele dizer que vai proteger o meio ambiente é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais. Biden, por exemplo, decidiu sair da conferência na hora do discurso do presidente brasileiro, um gesto de desprezo para dar recado globalmente.

Mas vamos ser justos. No meio ambiente, Bolsonaro prometeu o que está entregando: terra arrasada e porteira aberta para criminosos ambientais.

A melhor maneira de voltar a preservar o meio ambiente no Brasil é tirar Bolsonaro e Salles do poder. Devido à omissão das autoridades que podem contribuir para isso, a tarefa vai ficar mesmo a cargo do eleitor no ano que vem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL