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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Temer vê risco de golpe de Bolsonaro; Lula e FHC querem reforçar legalistas

Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

04/06/2021 12h18

O ex-presidente Michel Temer avalia que o presidente Jair Bolsonaro pode tentar dar um golpe a fim de não aceitar o resultado de eventual derrota eleitoral no ano que vem. Na visão de Temer, seria uma reação parecida com a do ex-presidente Donald Trump, que contestou a vitória de Joe Biden e incentivou a invasão do Congresso americano em 6 de janeiro.

Os ex-presidentes Lula e FHC defendem que o PT e o PSDB fortaleçam os laços com militares legalistas e ex-bolsonaristas arrependidos, como o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Temer, que tem boas relações com as Forças Armadas, também acredita que o caminho é prestigiar os militares da ativa e da reserva que resistem a tentações golpistas. Na visão dele, um golpe não seria aceito pela maioria dos militares da ativa, caso Bolsonaro jogue essa carta.

Em resumo, os três ex-presidentes consideram que é melhor não esticar a corda, que seria tudo o que Bolsonaro desejaria para tentar quebrar o período democrático que o Brasil vive desde 1985, quando acabou a ditadura militar de 1964.

O encontro entre Lula e FHC no início de maio foi um ato importante para valorizar a política, atividade demonizada pela Lava Jato e setores da imprensa nos últimos anos. Bolsonaro é resultado direto da negação política, costuma dizer Lula. Hoje, FHC concorda com ele.

Venceu uma batalha

Ao livrar o general Eduardo Pazuello de punição por ter ido a um ato político, o que é proibido pela Constituição e o regulamento do Exército, Bolsonaro tenta vender a ideia de que teria o controle das Forças Armadas para um eventual golpe. Falso.

A decisão do Alto Comando do Exército desagradou a Marinha e a Aeronáutica. O perdão a Pazuello também contrariou setores do próprio Exército, da ativa e da reserva. Bolsonaro ganhou uma batalha ao passar a mão na cabeça de Pazuello, mas não venceu a guerra.