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Kennedy Alencar

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Moro não foi salvo pela Justiça, mas pela política que tentou destruir

Quem salvou o senador Sergio Moro (União-PR) da cassação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não foi a Justiça, foi a política que ele mesmo tentou destruir, afirmou o colunista Kennedy Alencar no Análise da Notícia desta quarta-feira (22).

Moro não foi salvo pela técnica, pela Justiça, como ele falou: 'eu tive um julgamento técnico'. Ele não foi salvo pela Justiça, o Moro foi salvo pela política que ele queria destruir.

Se tem um personagem no Brasil nos últimos dez anos —desde 2014, quando começou a Lava Jato, 17 de março de 2014, até hoje— empenhado em destruir a política, esse personagem foi o Moro, com demonização dos partidos políticos, usando o mote da corrupção como arma política.

Tem uma tese dele, um manuscrito dele, sobre a operação Mãos Limpas, uma análise que foi feita na Itália, ele queria reproduzir aquilo e ele dizia lá: é preciso pressionar via mídia, é preciso atacar os políticos, é preciso fazer aliança assim e assado. Tinha todo um roteiro político naquilo. Kennedy Alencar

Kennedy relembra que Moro e Dallagnol tentaram investigar os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e Dias Toffoli durante a operação Lava Jato.

Ele foi pedir água pro Gilmar Mendes. Ele trocou ataques com o Gilmar Mendes. Ele acusou, lançou suspeitas sobre decisões que o Gilmar Mendes tomou como ministro do Supremo Tribunal Federal. Depois pediu desculpa, disse que não era bem aquilo, que não queria ofender, mas atacava muito o Gilmar Mendes. O Moro e o Dallagnol procuraram investigar o Gilmar Mendes, o Toffoli, durante a Lava Jato. Isso fez com que muita coisa mudasse no Supremo antes da 'Vaza Jato', que expôs ali, de uma vez por todas, todas as entranhas da Lava Jato e como ela se misturou com política, no caso, para perseguir os políticos, perseguir adversários. Kennedy Alencar

Segundo Kennedy, o presidente Lula não se empenhou pela cassação de Moro, apesar do PT ter sido um dos partidos que deram início ao processo contra o senador no Paraná.

O Lula não se empenhou pela cassação do Moro, com toda a raiva que o Lula tem e a mágoa que o Lula tem em relação ao Moro. Ele verbaliza muito isso em relação a Lava Jato, mas em relação ao Moro ele não se empenhou, apesar de o PT ter sido um dos dois partidos que pediram, deram início ao processo contra o Moro lá no Paraná, o PT do Lula e o PL do Bolsonaro, ambos os partidos o questionaram. Kennedy Alencar

Kennedy explica que Moro optou por utilizar uma estratégia diferente de Deltan Dallagnol, e evitou embates com o judiciário.

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O Moro entendeu que aquela estratégia que o Deltan Dallagnol utilizou, uma estratégia de embate com o Supremo, com o TSE, de alegar a perseguição política, ia dar errado. Ele viu que deu errado com o Dallagnol. Tanto que o Dallagnol tá cassado, está fora, perdeu o mandato dele de deputado federal, o Moro manteve o mandato dele de senador. Kennedy Alencar

Segundo Kennedy, na avalição do presidente Lula e do PT, não cassar o mandato de Moro acaba com a tese de perseguição.

Pro Lula e pro PT, ainda pesou um pouco na avaliação deles de que essa decisão de manter o mandato do Moro, primeiro mata uma tese de perseguição —de que, por causa do que ele fez na Lava Jato, agora tem uma vingança dos políticos e do judiciário contra ele, Moro. É a tese que o Deltan Dallagnol abraçou e que está errada, o Deltan Dallagnol foi cassado porque merecia ser cassado. O Moro não quis abraçar essa tese. Ele deu uma recuada e parou de atacar o judiciário como ele fazia. Kennedy Alencar

Além de matar a tese de perseguição política, o presidente Lula decidiu não jogar força para cassação de Moro pensando no risco de quem poderia suceder o senador.

Uma eleição para suceder o Moro no Paraná, podia levar para o Senado alguém ainda pior do que o Moro, porque tem uma avaliação de que ele é um senador muito apagado, ele é um senador fraco. E tem toda uma estratégia do bolsonarismo de transformar o Senado num bunker, eles estão montando estratégia para tentar eleger mais candidatos ao Senado em 2026, por exemplo. Eles já fizeram uma boa leva em 2022, porque no Senado você pode eventualmente votar impeachment de ministro Supremo nessa ideia deles de um dia empastelar a Suprema Corte. Kennedy Alencar

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O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 13h e às 14h30.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja abaixo o programa na íntegra:

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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