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Leonardo Sakamoto

"Não é só o coronavírus. Fake news sobre coronavírus também mata"

Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

15/04/2020 20h39

"Respondemos uma consulta de uma pessoa que acreditava que gargarejo com soda cáustica diluída em água curava Covid-19. Não é só coronavírus. Fake news sobre coronavírus também mata."

Raísa Guimarães, coordenadora estadual do setor de saúde do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, também lembra de outros boatos menos perigosos que teve que desmentir desde que o MTST lançou um serviço, via WhatsApp, para tirar dúvidas e orientar a população mais vulnerável sobre o coronavírus.

"Alguns haviam feito bochechos com vinagre, Coca-Cola, chá quente e água morna, pois receberam, pelas redes, informações de supostos médicos que receitavam esses absurdos para prevenir a infecção", relata.

Inicialmente, o "Zap da Saúde" foi criado para atender aos trabalhadores do movimento acampados na capital paulista, em locais como o Grajaú, M'Boi Mirim, Paraisópolis, Cidade Tiradentes. Acabou dando tão certo que, de boca em boca, se espalhou.

São 15 profissionais de saúde voluntários, dentre os quais seis médicos, que tiram dúvidas a respeito da Covid-19, informam sobre formas de prevenção à doença e orientam sobre o momento de ir a Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou pronto-socorros de hospitais. O serviço começou a funcionar há três semanas e tem feito atendimentos por mensagens de texto ou ligações.

"Através da nossa orientação, muitos têm evitado ir a hospitais com sintomas leves. Registramos todos os que nos procuram e passamos a fazer um monitoramento, ligando para verificar a evolução do seu quadro", afirma a médica ginecologista Mayara Abdul Khalek Mendonça, que participa da iniciativa.

Também já ocorreu o contrário, casos em que as pessoas acreditavam não precisarem ir ao hospital, mas que o serviço recomendou que fossem imediatamente.

O Zap da Saúde está precisando de doações de máscaras e álcool gel para distribuir a quem apresenta sintomas de Covid-19 e precisa ficar em casa, em quarentena. Como o público-alvo é mais vulnerável, eles não contam com esses recursos para evitar o contágio entre membros da mesma família.

O número do serviço é (11) 98174-3094. A iniciativa é parte da Campanha "Enfrentando o Corona na Periferia", coordenada pelo MTST, com lideranças comunitárias. Seu fundo de emergência para sem-tetos afetados pelo coronavírus já arrecadou mais de R$ 565 mil em doações para a compra de alimentos e produto de higiene.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL