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PM usa bomba de gás para afastar marcha do MTST do Palácio dos Bandeirantes

Sem-teto são atendidos após respirarem gás lacrimogênio lançado pela PM-SP - MTST
Sem-teto são atendidos após respirarem gás lacrimogênio lançado pela PM-SP Imagem: MTST
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), “Escravidão Contemporânea” (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

30/07/2020 21h18Atualizada em 31/07/2020 08h26

A polícia militar lançou bombas de gás lacrimogênio para impedir que uma marcha do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), se aproximasse do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na noite desta quinta (30). Manifestantes intoxicados pelo gás foram atendidos no meio da rua por membros do próprio movimento.

"As pessoas estavam indo ao Palácio dos Bandeirantes pedir para que não fossem despejadas durante a pandemia e o governo João Doria joga bombas de gás nelas. Jogaram gás lacrimogênio nas pessoas durante uma pandemia que atinge o sistema respiratório. Isso é distópico!", afirmou à coluna Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST.

"Vamos denunciar João Doria pelo crime que ele cometeu aqui nesta noite. Ele não pode jogar beijinho para a Faria Lima e bomba em sem-teto", disse.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou, em nota enviada à coluna, que a Polícia Militar atuou na manifestação "para garantir o direito à livre expressão e a segurança de todos". De acordo com a instituição, os policiais acompanharam o deslocamento do grupo da estação de metrô São Paulo - Morumbi até a praça Roberto Gomes Pedrosa, onde os manifestantes tentaram furar o bloqueio feito pelos policias.

"Houve um princípio de tumulto, sendo necessário o uso de técnicas de controle de multidões para contê-lo." A secretaria afirma que não possui informações sobre feridos ou detidos.

Iniciado às 14h, o ato pedia a suspensão dos despejos e das reintegrações de posse durante a pandemia de coronavírus e reivindica a liberação de recursos para moradia. As bombas foram lançadas enquanto os membros do MTST estavam na altura do estádio Cícero Pompeu de Toledo, pertencente ao São Paulo. Algumas atingiram as arquibancadas.

Parte dos cinco mil manifestantes, segundo números dos organizadores, se desmobilizou após a ação, mas um grande número continuou no local. Uma comissão foi recebida pelo secretário de Habitação de São Paulo no Palácio dos Bandeirantes, para apresentar as demandas.

Polícia militar lança bombas de gás para impedir que marcha do MTST chegasse ao Palácio dos Bandeirantes - MTST - MTST
Polícia militar lança bombas de gás para impedir que marcha do MTST chegasse ao Palácio dos Bandeirantes
Imagem: MTST

"Essa marcha só ocorre como último recurso porque as pessoas estão desesperadas. Muitas correm o risco de serem jogadas na rua nas próximas semanas, ou seja, de perderem o seu teto em meio à pandemia, se os despejos e as reintegrações de posse não forem suspensos. Muitos não estão conseguindo pagar aluguel no final do mês porque ficaram desempregados", afirmou Boulos no início da manifestação.

Houve distribuicão de máscaras e álcool gel aos participantes e os organizadores orientaram que se respeitasse o distanciamento em virtude da pandemia.

O Ministério Público de São Paulo acolheu uma representação do movimento, na semana passada, e recomendou ao poder público a interrupção de despejos e reintegrações enquanto durar o estado de calamidade pública.

Bombas de gás foram lançadas contra marcha do MTST ao lado do estádio do São Paulo - MTST - MTST
Bombas de gás foram lançadas contra marcha do MTST ao lado do estádio do São Paulo
Imagem: MTST

Em nota enviada à coluna antes da ação policial, a Secretaria de Habitação do governo afirmou que "já solicitou à Justiça que, durante o período de pandemia, suspenda todas as reintegrações de posse que busque remover famílias de imóveis públicos ocupados".Também disse que "a Polícia Militar atua, quando solicitada pelo Poder Judiciário, em apoio aos oficiais de Justiça que cumprem determinação judicial de reintegração de posse em áreas privadas".

Quanto ao congelamento de investimentos, a secretaria disse que já entregou 20.080 unidades habitacionais populares e mantém em construção outras 36.688 moradias. E passou a realizar "sorteios virtuais de casas populares, tendo sido realizados até o momento 86 deles".

MTST realiza marcha até a sede do governo paulista para pedir o fim dos despejo durante a pandemia - MTST - MTST
MTST realiza marcha até a sede do governo paulista para pedir o fim dos despejo durante a pandemia
Imagem: MTST

Leonardo Sakamoto