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Leonardo Sakamoto

Após chamar Brasil de cemitério, Renan usa placa com total de mortes na CPI

Senador Renan Calheiros trocou seu nome pelo número de mortos por covid na bancada da CPI - Reprodução/TV Senado
Senador Renan Calheiros trocou seu nome pelo número de mortos por covid na bancada da CPI Imagem: Reprodução/TV Senado
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

12/05/2021 11h36

No dia do depoimento do ex-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, o relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL) trocou a placa com seu nome na bancada da comissão pelo número de mortos por covid-19 até agora: 425.711.

A provocação ao governo Jair Bolsonaro (sem partido) ocorre um dia após Renan afirmar que "o Brasil virou cemitério do mundo" e que "o fato de terem transformado o Brasil nisso não ficará impune". O país conta com o segundo maior número de mortos até agora por consequências do coronavírus, apenas atrás dos Estados Unidos. Na CPI, o senador tem sido uma dor de cabeça para o presidente.

A afirmação ocorreu após Thaís Oyama, colunista do UOL, publicar que o Palácio do Planalto acredita que a CPI "não dará em nada".

O presidente da República tem questionado a veracidade do número de mortos, contabilizado tanto pelo Ministério da Saúde quanto pelo consórcio de veículos de imprensa a partir dos de dados coletados nas Secretarias Estaduais de Saúde.

Por exemplo, em janeiro deste ano, ao tratar de mortes pela doença, Bolsonaro afirmou que "muito laudos são forçados, dados como se covid fossem, na verdade, nós sabemos que não é".

O esforço de contabilidade paralelo da imprensa nasceu, em junho do ano passado, no momento em que o governo federal reduziu a transparência sobre os dados de óbitos causados pela doença.

No dia 22 de março de 2020, Bolsonaro previu que o número de óbitos causados pela covid-19 seria em torno de 800 pessoas. Esse número é 532 vezes menos que o número de óbitos registrados até esta terça (11).