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Leonardo Sakamoto

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro diz que, eleito, Lula transformará clubes de tiro em bibliotecas

Bolsonaro posa com arma ao lado de servidores da Receita - Divulgação/Sindifisco Nacional de Brasília
Bolsonaro posa com arma ao lado de servidores da Receita Imagem: Divulgação/Sindifisco Nacional de Brasília
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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

30/06/2022 19h53

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que, uma vez eleito, o ex-presidente Lula (PT) vai transformar clubes de tiro em bibliotecas. A declaração foi dada em sua live semanal, na noite desta quinta (30), ao celebrar números que mostravam o aumento na quantidade de lojas de armas de fogo e de clubes de tiro no país desde que ele assumiu o governo.

"Não se esqueçam que o outro cara, o de nove dedos, falou que vai acabar com a questão de armamento no Brasil. Vai recolher as armas, clube de tiro vai virar biblioteca, como se ele fosse algum exemplo para isso", disse Bolsonaro.

Bolsonaro afirmou que as lojas de armas cresceram em 72% e os clubes de tiro, em 91%.

A intenção do presidente foi criticar Lula frente aos seus seguidores que defendem a liberação da posse e do porte de armas de fogo, e os CACs (caçadores, atiradores esportivos e colecionadores), grupos que fazem parte da audiência de sua live semanal, transmitida através de suas redes sociais.

A maioria dos brasileiros, contudo, rejeita a política armamentista do presidente. O que significa que a declaração pode ter saído pela culatra.

De acordo com pesquisa Datafolha, divulgada no mês de maio, 72% da população discorda da frase "a sociedade seria mais segura se as pessoas andassem armadas para se proteger da violência".

Mulheres (78%), pessoas que se autodeclaram pretas (78%) e quem ganha até dois salários mínimos (75%) discordam mais da frase que os outros grupos sociais.

Ao mesmo tempo, 71% discordam da frase "É preciso facilitar o acesso de pessoas às armas", dos quais 77% das mulheres e 64% dos homens.

A política de Bolsonaro para armamentos ajuda a explicar a razão de a sua rejeição entre mulheres ser maior que a entre os homens: apenas 21% delas declaram voto nele, enquanto 49% afirmam que preferem Lula. No total geral, o petista lidera a corrida por 47% a 28%.

Por fim, 69% dos brasileiros afirmam discordar e 28% concordar com um dos principais lemas do presidente: "O povo armado jamais será escravizado".