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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Especial da Record sobre inflação detona Guedes, mas poupa Bolsonaro

Cristina Lemos e Celso Freitas no Jornal da Record (Antonio Chahestian/Record TV) - Reprodução / Internet
Cristina Lemos e Celso Freitas no Jornal da Record (Antonio Chahestian/Record TV) Imagem: Reprodução / Internet
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

27/09/2021 22h02

O "Jornal da Record" estreou nesta segunda-feira (27) uma série especial de reportagens sobre a alta da inflação no Brasil durante o governo Bolsonaro. Ao longo de mais de sete minutos, o telejornal ouviu economistas que fizeram críticas duras ao ministro da Economia, Paulo Guedes, mas não mencionou o nome do presidente.

Não é a primeira vez que a Record, alinhada com o governo, faz críticas à condução da economia. Em abril de 2020, o principal telejornal da emissora enxergou um "enfraquecimento" de Guedes e apontou "cinco erros" na sua gestão, entre os quais a "falta de sensibilidade com os mais pobres".

Nesta segunda, o economista Simão Silber lembrou que a "inflação é muito perversa porque pega aqueles que são muito mais vulneráveis do ponto de vista econômico e social dentro da sociedade".

Já o economista Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda no período de hiperinflação, no governo Sarney, criticou diretamente Paulo Guedes: "A política econômica prometeu o que não podia. O ministro Paulo Guedes lança mão de coisas do passado que não deram certo", disse.

"Por exemplo, o calote de precatórios. Isso cria instabilidade, cria incertezas. Aumento do IOF, que impacta o crédito. É um imposto ruim que interfere na intermediação financeira. Piora o funcionamento do sistema de crédito", prosseguiu Maílson.

Roberto Ellery, professor de economia da UNB, também criticou o "Posto Ipiranga" do presidente Bolsonaro: "O ministro Paulo Guedes, quando apostou numa estratégia de dólar alto, como ele mesmo falou várias vezes, subestimou o impacto desse dólar na inflação. Esse dólar alto acaba subindo os preços aqui também, que foi o que aconteceu. Contaminou uma série de preços".

Maílson lembrou ainda que nem tudo é culpa de Guedes: "Está tudo tão caro por uma série de fatores. A maioria vinda do exterior. O aumento de custos, aumento de preço de commodities agrícolas, como soja, milho, café, carne, frango, em consequência do aumento da expansão da economia chinesa. Internamente, também tem coisa fora do nosso controle: o clima não está sendo camarada com o Brasil"

A reportagem falou de diferentes períodos de inflação no Brasil, desde a década de 1950. Nenhum presidente foi citado com exceção de Dilma Rousseff. "A inflação está chegando a 10%, o que não acontecia desde 2015 no governo Dilma", informou o telejornal. "O pior ciclo de inflação da década passada - de janeiro de 2011 a abril de 2016, a inflação acumulada foi de 45%".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL