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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bonner ironiza indefinição do governo Bolsonaro sobre restrição a viajantes

William Bonner no JN - Reprodução/TV Globo
William Bonner no JN Imagem: Reprodução/TV Globo
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

26/11/2021 21h04

O anúncio de que o Brasil vai impor restrições a viajantes de seis países do sul da África, feito pelo ministro da Casa Civil na noite de sexta-feira, provocou um momento de ironia no "Jornal Nacional".

Após mostrar as falas do presidente Jair Bolsonaro contra medidas deste tipo, e relatar a decisão na direção oposta anunciada pelo ministro Ciro Nogueira, o apresentador William Bonner debochou do vaivém governamental:

"Então, neste momento, fazendo um resumo aqui, aquilo que o presidente Jair Bolsonaro passou o dia dizendo que não iria acontecer, ou seja, que não iria atender aquilo que foi recomendado pela Anvisa, não vale", disse Bonner.

"As recomendações da Anvisa serão praticadas, segundo mensagem do ministro da Casa Civil. São 8h45 da noite, horário de Brasília, e isso é que está valendo neste momento no Brasil", complementou, irônico.

"Tá vendo muito Globo"

Em encontro com apoiadores nesta sexta-feira (26), o presidente Jair Bolsonaro rejeitou a ideia de adotar medidas restritivas a passageiros vindos de países mais afetados pela pandemia de corovaírus. Ao longo da conversa, o presidente ironizou um seguidor, preocupado com a situação, dizendo que ele "tá vendo muito Globo".

No vídeo que circula nas redes sociais, Bolsonaro diz, referindo-se à nova variante do vírus, detectada inicialmente na África do Sul: "Tá vindo um outra onda de covid. Lamentável". Ao que um apoiador pede: "O senhor devia fechar os aeroportos, não deixar ninguém vir de fora". O presidente reage dizendo: "Vai chegar, rapaz. Que loucura é essa? Que loucura é essa? Fechar o aeroporto o vírus não entra? Já está aqui dentro".

Alguém diz, então: "O vírus vai vir de fora". E Bolsonaro responde: "Não existe isso. Fecho o aeroporto. Do Paraguai não vem mais voo pra cá, por exemplo. É isso?" Uma pessoa responde: 'Da Europa". "Por que Europa?", indaga o presidente. "Não é lá que tá pior a pandemia agora?", diz o apoiador. "Você tá vendo muito Globo", diz Bolsonaro. "Não, nao vi", diz o fã do presidente. "Pessoal, tem que aprender a conviver com o vírus, infelizmente", conclui.

A jornalistas, após evento na Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, no Rio de Janeiro, o presidente adotou um tom semelhante. "Tudo pode acontecer. Uma nova variante é um novo vírus. O que fazer? Tem que se preparar! O Brasil não aguenta um novo lockdown", disse. "Não adianta se apavorar, (é) encarar a realidade", acrescentou.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma nota técnica, hoje, recomendando que o governo adote medidas de restrição para viajantes e voos vindos de seis países da África em razão da identificação de uma nova variante do novo coronavírus na África do Sul. Os países citados pela agência são África do Sul, Botsuana, Eswatini (ex-Suazilândia), Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

Diversos países, incluindo Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão e Filipinas já anunciaram restrições semelhantes a viajantes da África do Sul.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL