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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sobra bravata e falta transparência nos gastos com publicidade do governo

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

04/07/2022 13h32

A divulgação pelo UOL de um novo levantamento de gastos do governo federal com publicidade oficial na TV aberta reforça algumas questões que venho falando já há anos. Salta aos olhos como sobra bravata e falta transparência do governo ao tratar deste assunto.

O primeiro problema, e o mais óbvio, é o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter transformado, ainda na campanha eleitoral de 2018, o que seria uma questão administrativa em um tema político. Uma série de critérios técnicos deveriam pautar a distribuição de verba para publicidade oficial. O então candidato deu um tom de escândalo, a ser combatido, ao fato de a Globo receber mais do que as demais emissoras. Entre outras bravatas, ameaçou também não renovar a concessão dos canais da família Marinho.

Nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Record e SBT receberam muito mais publicidade oficial do que a Globo, apesar de a audiência das duas emissoras, somadas, ser inferior à da líder. O gesto soou, por um lado, como prêmio ao apoio que as duas emissoras deram ao governo e, por outro, como represália a uma emissora que tratou Bolsonaro de forma crítica. Em diferentes momentos, o Tribunal de Contas da União criticou e alertou o governo sobre os seus gastos com publicidade.

A situação começou a mudar no segundo semestre de 2020, após a posse de Fábio Faria no Ministério das Comunicações. Dados divulgados pela revista Veja no início deste ano, mostram que em 2021 os veículos do Grupo Globo receberam um valor superior à Record em publicidade oficial.

Os dados divulgados pelo UOL nesta segunda-feira confirmam esta correção de rumo. É preciso acrescentar que, por se tratar de ano eleitoral, os gastos com publicidade são maiores no primeiro semestre. Há muito mais restrições à publicidade oficial nos meses anteriores às eleições. Isso explica, em parte, o volume muito maior de gastos neste primeiro semestre na comparação com o primeiro semestre do ano passado.

Por fim, há que se lamentar a falta de transparência que está por trás de toda essa discussão. Os dados deveriam ser divulgados de forma mais clara e com frequência maior pelo governo. E as emissoras também deveriam ser mais claras sobre as fontes dos seus recursos. Seria importante o espectador ter uma noção clara sobre o impacto de publicidade oficial do faturamento de todos os canais.