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Rogério Gentile

TJ aumenta a condenação de Nego do Borel, acusado de humilhar motorista

O funkeiro Nego do Borel  - Reprodução / Internet
O funkeiro Nego do Borel Imagem: Reprodução / Internet
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

19/01/2021 10h41

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) aumentou de R$ 20 mil para R$ 30 mil a indenização por danos morais que cantor Nego do Borel terá de pagar ao motorista de Uber Wellington de Oliveira Gomes.

O funkeiro foi condenado por, durante uma corrida, em janeiro de 2018, zombar do motorista e divulgar o vídeo em suas redes sociais, nas quais, de acordo com informações do processo, é seguido por mais de sete milhões e meio de pessoas.

Na gravação, Borel aparece fazendo perguntas e afirmações irônicas ao motorista: "Será que nós vamos passar por lá? Ali naquela casa de show que o dono da casa é um tal de vai lhe enrabar e vai lhe enrabando?"

"Ele submeteu Wellington a uma situação vexatória e extremamente humilhante", afirmou no processo o advogado Juan Fernando Hasegawa Silva, que representa o motorista.

"As ofensas, com nítido tom jocoso, demandariam consentimento da parte autora para que pudessem ser expostas em rede social com tamanho alcance", afirmou o desembargador Rogério Cimino, relator do processo. Segundo a decisão, Borel produziu o vídeo com o óbvio intuito de obter vantagem econômica com a promoção de sua imagem extrovertida em redes sociais.

Em recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça, o funkeiro afirma que o episódio não passou de uma brincadeira banal em um grupo informal de amigos no WhatsApp. "Foi compartilhada por um período tão ínfimo que em nada ataca a honra do motorista."

"O cunho comercial do vídeo não passa de mera ilação do juiz que proferiu a sentença, inexistindo, prática ilícita", afirmou à Justiça o advogado José Estevam Macedo Lima, que representa o cantor.

O recurso ainda não foi julgado.

Além do processo pela ofensa contra o motorista, Nego do Borel é acusado de ter cometido uma série de agressões, inclusive estupro, contra a atriz Duda Reis, sua ex-namorada. O cantor nega que tenha agido com violência. "Nunca agredi, nunca pratiquei qualquer tipo de violência contra ela", afirmou no Instagram.