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Rogério Gentile

MP questiona gestão Covas por exposição de arte de R$ 250 mil na pandemia

O prefeito de São Pauo, Bruno Covas (PSDB),  -  Reprodução / Governo de São Paulo .
O prefeito de São Pauo, Bruno Covas (PSDB), Imagem: Reprodução / Governo de São Paulo .
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

18/01/2021 11h02

Apesar do recrudescimento da pandemia do coronavírus, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), gastou R$ 250 mil na realização de uma exposição no centro de São Paulo.

A verba foi utilizada para contratar a exposição "Os Tupys - Festival de Natal 2020", que ocorreu entre os dias 12 e 27 de dezembro, na Praça Antônio Prado, no centro. A mostra era formada por 50 balões gigantes, iluminados, estampados com obras de arte do coletivo "Os Tupys", pioneiro da street art brasileira.

Por conta da exposição, o vereador Rubinho Nunes (Patriotas) move uma ação popular contra o prefeito na qual pede que o contrato seja declarado nulo. "Gastar R$ 250 mil com uma exposição artística presencial, que demanda obrigatoriamente aglomeração, com todo o respeito, é um descaso com os cidadãos paulistanos que estão sofrendo com a pandemia do coronavírus", afirmou à Justiça.

A Justiça ainda não analisou o processo.

Em nota enviada à coluna, a assessoria de imprensa da prefeitura diz que a decoração natalina, assim como toda a programação virtual musical e gastronômica do festival, foi realizada de acordo com as regras do Plano São Paulo à época.

"Vale ressaltar que o termo 'presencial' na contratação é uma forma de referenciar a instalação que foi realizada fisicamente no espaço e não uma atividade presencial que promove aglomeração, uma vez que o público-alvo eram os próprios transeuntes do centro da cidade."

Promotora destaca necessidade de aparelhar saúde

Na ação, o Ministério Público afirma que a contratação se deu em "valor vultoso", superior "ao valor médio de R$ 25 mil pagos pela prefeitura em outros trabalhos artísticos no decorrer da pandemia", embora reconheça a "expertise" do grupo, "conhecido por seu trabalho artístico no ramo de arte urbana, grafites, ilustrando, inclusive, capas de álbuns, desde a década de 80".

A promotora Ana Paula Anderlini diz tratar-se de um gasto que a prefeitura "não poderia arcar dada a notória necessidade de verbas para aparatar o sistema de saúde pública, adquirir vacinas e insumos, e combater a pandemia."

Questiona ainda o fato de a exposição gerar deslocamento de pessoas à praça Antônio Prado, "quando, na verdade, as regras sanitárias implicam distanciamento social, com o máximo de isolamento possível até o controle dos casos na cidade de São Paulo".

No final do ano, para tentar frear o avanço da covid-19, o governo paulista colocou todo estado na fase vermelha, período durante o qual apenas os serviços essenciais, como farmácias e supermercados, puderam funcionar. Shoppings, bares e restaurantes, entre outras atividades, tiveram de permanecer fechados nos dias 25, 26 e 27 de dezembro e 1,2 e 3 de janeiro.