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Rogério Gentile

Leonardo diz à Justiça que não humilhou o autor de "Pense em Mim"

Cantor sertanejo Leonardo -  Glaucon Fernandes - 26.jan.2019/Eleven
Cantor sertanejo Leonardo Imagem: Glaucon Fernandes - 26.jan.2019/Eleven
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

16/06/2021 10h02

O cantor Leonardo disse à Justiça que não humilhou nem enganou o compositor Mário Soares, um dos autores do clássico sertanejo "Pense em Mim".

A declaração foi feita num processo aberto pelo compositor, que entrou com um pedido de indenização por danos morais e materiais contra o cantor alegando que a dupla sertaneja Leandro e Leonardo gravou a música em 1990 sem a sua autorização prévia. Mário Soares disse na ação nunca ter recebido a remuneração devida pelos diretos autorais.

A música "Pense em Mim" era um reggae quando foi composta em 1985 por Mário Soares, Douglas Maio e José Ribeiro. Chamava-se "Com destino à felicidade".

Mário declarou à Justiça que a dupla sertaneja conheceu a música quando ela foi apresentada no programa televisivo "Clube do Bolinha", durante um show de calouros.

Afirmou também que, somente depois de ter gravado a canção no álbum "Leandro e Leonardo Vol. 4", eles o procuraram para obter o consentimento, o que não teria sido feito de maneira formal.

Argumentando ser à época uma pessoa de pouca instrução e experiência, Mário disse que foi pressionado por Leonardo e por outras pessoas do universo artístico a dar a autorização. Segundo ele, ao longo dos anos, recebeu quantias irrisórias pelos direitos autorais.

Na ação, que também envolve gravadoras, afirmou ter se tornado um mero coadjuvante da história e que frequentemente é ludibriado e humilhado por Leonardo. "Sempre que se encontram, [Leonardo] pede o número de sua conta bancária, fazendo alusão de que está milionário e que Mário merece uma caixinha", afirmou à Justiça o advogado Alexandre Teixeira Moreira, que representa o compositor.

Mário cobra o pagamento de R$ 598,8 mil, considerando royalties e indenização.

Leonardo disse à Justiça que o processo é uma aventura jurídica de pessoas que tentam enriquecer sem causa. "É muito estranho afirmar que, 30 anos após as tratativas relativas as canções, [Mário] finalmente sentiu-se injustiçado e resolveu buscar direitos que nunca teria recebido durante todo este período!"

O cantor afirmou no processo ser apenas o interprete da música e que as autorizações foram obtidas pela gravadora e pela editora. "No que tange aos direitos autorais, nada tem [o compositor] a reclamar com Leonardo, visto que ele não participou das tratativas e muito menos firmou qualquer contrato que determinou as remunerações", declarou a defesa do cantor sertanejo à Justiça.

Em relação ao pedido de indenização por danos morais, Leonardo disse que nunca colocou Mário em condição vexatória. "Não houve nada!!!", afirmou no processo.

"Onde está o dano moral sofrido pelo compositor?", pergunta à Justiça o advogado Marco Antonio Hengles, do escritório BLM advogados, que representa o cantor. "Onde comprova que Leonardo tenha praticado qualquer conduta vexatória contra ele ou a sua obra?"

De acordo com a defesa de Leonardo, Mário quer, na verdade, "tumultuar o Poder Judiciário, como se processar alguém fosse uma simples brincadeira".

O processo ainda não foi julgado.